A farra dos assessores na Assembleia

Postado por: Dilerman Zanchet

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Há cerca de dois anos, uma denúncia levou à investigação e posterior cassação de um deputado estadual, após ter sido acusado de várias irregularidades, consideradas crime. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, então em início de mandato, entendeu ser culpado e o deputado pagou com o mandato.

Meses depois, outro deputado, esquivando-se do trabalho, passava mais tempo no Nordeste do que no Rio Grande do Sul. Gostos e cores não se discutem, mas este, ex-jogador de futebol, não disse a que veio. É o tal voto em ídolos, que se destroem quando demonstram que podem ser grandes profissionais em suas funções, menos na política.

A semana encerrou com um feriado no meio, dedicado às crianças e a Nossa Senhora Aparecida. Talvez nossa padroeira do Brasil tenha, com sua condescendência, poupado e evitado uma falácia muito maior, face às denúncias de mais falcatruas enrustidas, apregoadas à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Uma matéria do jornalista Giovani Grizotti, da RBS TV, apresentou deputados com mais de 30% do seu quadro de assessores, ou seja: Cada um tem o direito a 17, mas um tem 30. E outro tem 27. E outro tem 24. E assim vai a FARRA DOS ASSESSORES da nossa casa parlamentar gaúcha.

E os espertos, íntegros e sérios, negam irregularidades, atribuindo o empilhamento de assessores, às combinações de bancadas, etc.

Por exemplo, o PDT, não esqueçam, há pouco foi alvo de denúncias, por ter uma assessora com cargo no partido a nível nacional, de utilizar diárias públicas para atender os interesses da sigla. Várias viagens, sem nenhuma finalidade interna da casa, mas pagas com o dinheiro do povo gaúcho. Outro era assessor parlamentar, com registro de presença, mas vendia imóveis durantes expediente na Serra gaúcha.

Um deputado estadual pode ter até 17 assessores. Uma pilha de gente que, cada um cumprindo expediente, lotaria literalmente todas as salas do prédio. Em alguns gabinetes não haveria espaço para tantos. Mas aí tem assessores nos municípios, tem assessor motorista, tem assessor de imprensa, tem assessor parlamentar, etc. A TV Assembleia, com uma importância ímpar no contexto informativo do Rio Grande do Sul, tem “um monte de gente” contratada.

Tem deputados que mantem como funcionários da Assembleia, candidatos derrotados nas eleições municipais. Vários deles.

Teve um deputado que, ao ser questionado sobre a função e a farra dos assessores, agrediu verbalmente o repórter, chamando-o de sem vergonha, pilantra e dizendo “a tua hora vai chegar”.

É muita cara de pau.

Limpeza já.

Está na hora de o Ministério Público, o Tribunal de Contas, os eleitores, enfim, tomarem para si estas imoralidades (a defesa dos próprios diz que é tudo legal) e, já na próxima eleição, dar a resposta.

E que mais gente grite contra este tipo de absurdo. Ou estão ganhando bem para ficar com a boca fechada?

Chega de falcatruas. Chega de dar nó na legislação. Chega de absurdos por conta do dinheiro público.

Professores, policiais, brigadianos, técnicos e outros funcionários públicos estaduais recebem em duas, três, quatro parcelas seus precários vencimentos, enquanto que do mesmo cofre sai limpinho e certinho, em grandes quantidades, o dinheiro para os outros “poderes”.

Esta é a conta que o povo gaúcho paga. Não tem segurança, não tem estradas, não tem saúde, mas tem 30, 27, 20 assessores cada deputado.

De onde vem, para que servem mesmo?

Para encerrar: Na sexta-feira, o Juiz Sérgio Moro determinou que Lula entregue os recibos originais do pagamento do aluguel do tal apartamento. Como se sabe, as datas não existem. Porém a defesa pediu prazo até 30 de fevereiro. Procede?

 

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