Prisão, prêmio e punição

Postado por: Israel Kujawa

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O interesse pela compreensão dos comportamentos infratores estimula a realização de pesquisas, uma delas na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, onde existe um Centro de Ciências do Comportamento Desviante. Neste tipo de comportamento estão incluídos os transgressores, pessoas que ultrapassam os limites do corpo, da lei e das instituições. No entanto, por esta definição todos, em algum momento ultrapassamos o limite, pois viver é ter a capacidade de enfrentar, ultrapassar e respeitar os limites. No entanto, ultrapassar o limite representa a oportunidade de conhece-lo, podendo resultar em prêmios, bem como em punições.

Em uma das imersões de pesquisa pude conviver, mesmo que rapidamente, com jovens que não se adaptaram na escola tradicional e estão tendo outra oportunidade de serem institucionalmente incluídos.  Nesta nova instituição, estão tendo a possibilidade de experimentar a aceitação de novos limites, na definição das atividades, dos espaços e dos comportamentos.  Desta forma, estão vinculados com uma instituição mais humana e em maior sintonia com as características da época em que estamos vivendo.

As cadeias para os adultos e os centros educativos, em regime fechado, para os jovens são apenas uma das formas de prisão. Se faz necessário considerar e ouvir o entendimento ou sentimento das pessoas, a respeito do sentido de um conteúdo imposto e de regras, contraditórias e autoritárias. Estas imposições são inerentes a existências social, valem para o conjunto das instituições, bem como para vida social em geral. Ao explicitar este entendimento, será possível perceber porque muitas pessoas não tem a capacidade de distinguir o limites e as punições de diferentes instituições, como a escola e a cadeia. Entre as diferenças ou semelhanças destas duas instituições está as justificativas para a punição; uma pune com o objetivo de educar e outra com o objetivo de reeducar.

O tempo de vida é um dos meios para o entendimento dos limites, dos prêmios e das punições. Portanto, os adultos, pais e professores, devem ter uma compreensão mais completa a este respeito do que os jovens e as crianças, cabendo a eles a tarefa de alertar e demonstrar. Contudo, como ensina Wittgenstein, um dos pensadores indispensáveis para uma descrição da nossa época, os sentidos tem conotações flexíveis, de contexto, podendo ser materiais, subjetivos ou psicológicos. Logo, entre a prisão de uma escola, construída em bases epistemológicas ultrapassadas e a cadeia, que é desumana e construída em referenciais similares, existe um enorme espaço a ser entendido, valorizado, conhecido e divulgado.

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