Podemos ter ensino público de qualidade para crianças e jovens no Brasil?

Postado por: Amilton Rodrigo de Quadros Martins

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Professor Amilton Rodrigo de Quadros Martins 

Uma pesquisa chamada Excelência com Equidade, desenvolvida em uma parceria da Fundação Lemann e o Banco Itaú BBA, analisou o que faziam de diferente as 215 escolas públicas que conseguiram os melhores resultados com alunos de baixo nível socioeconômico. Como método, foram realizadas visitas técnicas nas instituições e o uso de modelos estatísticos feitos com os dados abertos da Prova Brasil e do Censo Escolar, informações estas que geram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado em 2007 pelo Inep.

Uma análise qualitativa dos principais pontos que essas escolas trabalham resultou na seguinte constatação: não existe mágica, mas existe diferença na condução das escolas com bons índices e as demais, sendo as principais a gestão profissional que busca excelência e qualidade e o espaço de discussão e participação com estudantes e família.

Vídeo intitulado "Excelência com Equidade" – https://youtu.be/cDszrWYMlYo

Como no vídeo acima, todas as escolas analisadas iniciam definindo metas, tendo claros seus objetivos. Essas metas sempre estão relacionadas ao aprendizado dos alunos. Um segundo aspecto, talvez o mais importante, é que as instituições de ensino acompanham continuamente e de perto o aprendizado dos alunos. A ação, muitas vezes, é liderada pela secretaria, que conduz, observa e garante o trabalho desenvolvido pelas escolas, objetivando lhes dar um suporte adequado. Esse trabalho em conjunto se propõe a fornecer dados sobre o aprendizado para embasar as ações pedagógicas, como reforço escolar e formação continuada. Por fim, há uma atenção da gestão escolar para fazer da escola um ambiente agradável e propício ao aprendizado.

Além de salientar as melhores práticas, o estudo ressaltou que o método escolhido para implementar as ideias é o fator de sucesso. Afinal, uma boa ideia, se mal executada, não só pode não ter efeito positivo como pode ter efeito negativo. Por isso, há aspectos-chave para a formulação de uma boa política educacional. Vale salientar que é fundamental criar um fluxo aberto e transparente de comunicação, tanto entre escola e secretaria, como entre escola e comunidade.

Também é imprescindível que toda a comunidade escolar respeite a experiência dos professores e os apoie em seu trabalho. É preciso empoderar os docentes, que estão no dia a dia com os alunos e buscam garantir o aprendizado deles. Mais detalhes da pesquisa podem ser obtidos em http://www.fundacaolemann.org.br/excelencia-com-equidade/.

*Líder InovaEdu – Laboratório de Ciência e Inovação para a Educação

 

 

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