O costume de fazer o mal

Postado por: Neuro Zambam

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Após a Segunda Guerra Mundial, a humanidade se deu conta das barbaridades cometidas e suas repercussões sobre a quase totalidade das relações humanas, da vida social e da organização das instituições. As pessoas nunca mais foram as mesmas, após esse fato nefasto e desprezível.

O mal praticado parecia demonstrar que as demais atrocidades estudadas e destacadas ao longo do passado mais ou menos distante, eram insignificantes diante da tamanha falta de sensibilidade e ações brutais. Hannah Arent foi que melhor classificou esse período com uma expressão que até hoje é referência: “a banalidade do mal”.

O significado desta expressão é profundo e retrata, em palavras bastante simples, que as pessoas “se acostumaram” de tal forma com tamanha brutalidade que perderam a capacidade de reagir, lutar, revoltar-se e expressar a sua indignação. As mentes, emoções e comportamentos foram de tal forma atrofiada que os “nazistas” e outros apoiadores agiam sem graves problemas e repercussões.

O que estamos acompanhando no Brasil é algo parecido. A corrupção é tão endêmica e aterrorizadora que já não espanta e sequer causa indignação e revolta. A impotência do povo brasileiro e o costume arraigado nas pequenas ações e nas administrações públicas e privadas torna nossas emoções reféns de grandes manchetes cujo impacto é “‘zero”.

A votação “nem tão salvadora” do senador Aécio Neves, ontem no Senado, é o retrato disso. Alguns comentários nas redes sociais e nenhum impacto a mais.

Existe a necessidade de ampliar a capacidade de revolta, indignação e expressão de valores e comportamentos minimamente aceitáveis, a fim de recordarmos para as gerações futuras que nem todas as referências foram perdidas.

Caso contrário, justificaremos os “novos campos de concentração”, cujos confinamentos aprisionam a nós mesmos e na admiração da esperteza pela capacidade de driblar tudo e todos com artimanhas jurídicas, religiosas e discursivas.

Os ensaios relacionados à corrupção começam com o desvio de pequenas quantias. Por exemplo, um tanque de combustível. Passam sorrateiramente por manifestações exibicionistas. Por exemplo, discursos inflamados e panelas vazias cujo som não impacta porque não existe e não tem continuidade. Utilização de símbolos nacionais sem o devido respeito.

A “banalidade do mal” envergonha a humanidade. A “banalidade da corrupção” destruirá o Brasil e a emoção do seu povo.

 

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