A viúva negra dos Fuscas

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Na década de 60 uma empresa norte americana chamada Turbonique desenvolvia motores especiais para equipar carros de competição. Faziam muito sucesso no mundo da velocidade e das arrancadas, pois os motores, movidos por turbinas como as dos foguetes espaciais da época, eram realmente muito fortes. Parte dessa força se devia ao combustível especial que usavam, o thermolene, com o mesmo princípio do combustível de foguete, muito volátil e instável. Mesmo assim, era um sucesso.

Como estratégia de marketing, em 1965 a Turbonique montou um de seus incríveis propulsores a turbina, movido por thermolene, na traseira do mais carismático dos carros, um velho Fusca 1955. Sobre esse motor instalou ainda um drag axle, que era como que um outro motor a turbina, só que menor, montado diretamente no eixo traseiro. Assim, o Fusca tinha, tecnicamente, dois motores movidos a turbina, produzindo nada mais, nada menos que 850 cv. Para completar a figura, pintaram o Fusca de preto e o batizaram de Turbonique Black Widow, ou Turbonique Viúva Negra.

A primeira demonstração do Turbonique Black Widow foi em 19 de setembro de 1966 em Tampa, na Flórida, onde completou o quarto-de-milha (402,5 m) em assombrosos 9,36 segundos, cruzando a linha final a surpreendentes 270 km/h.

Um mês mais tarde, em nova demonstração, quando atingiu 294 km/h o Fusca literalmente decolou da pista e estatelou-se sobre o próprio teto. Incrivelmente, o piloto não sofreu nenhum arranhão.

O que poderia ter sido encarado como um grande fracasso, foi utilizado para aumentar ainda mais a fama da Turbonique, que montou um anúncio sobre o acidente, que dizia: “Nós não conhecíamos nossa força. Ou melhor, esquecemos dela por uma fração de segundo. Isto basta quando você quebra um recorde a cada tentativa”.  Para evitar novos acidentes, duas soluções eram possíveis: reduzir a potência dos motores ou melhorar a aerodinâmica do carro. Mas nada disso foi feito e o Black Widow nunca mais correu. É que os problemas da Turbonique eram tão fortes e velozes quanto seus motores. Casos de explosões desastrosas eram crescentes. Ajudando a piorar a situação, em 1968 o dono e engenheiro chefe da empresa acabou sendo preso. Não porque os motores dele explodissem a toda hora, mas, acreditem, por vender seus produtos anunciando que eram “prontos para instalar”, sendo que, na verdade, precisavam ser montados primeiro.

Mesmo assim, o record de Fusca mais rápido do mundo, com 294 km/h, pertenceu ao Black Widow por quase 50 anos, tendo sido quebrado somente em 2015 quando um Fusca Turbo R-Line 2014, o Beetle LSR, chegou a 330 km/h no deserto de sal de Bonneville, em Utah.

O link a seguir mostra, no youtube, um dos únicos registros disponíveis do Black Widow nas pistas.

https://youtu.be/o9FOOMCPUd0

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