Política e Ideias: Devemos sempre aproveitar o que gerou melhor resultado (a sexta lição de Mises)

Postado por: Marcel Van Hattem

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A sexta e última lição de Ludwig von Mises é chamada “Política e Ideias”. Neste capítulo, o economista austríaco explica como a proclamação da independência dos Estados Unidos e dos demais países americanos colonizados por espanhóis e portugueses gerava ótima expectativa sobre o futuro do ocidente, principalmente porque a liberdade econômica traria uma melhoria das condições materiais da humanidade. Acreditava-se que as guerras cessariam e que o progresso viria sem grandes traumas.

Embora realmente o progresso econômico experimentado pela humanidade nos séculos XIX e XX tenha sido sem precedentes, as expectativas de paz não se confirmaram. Segundo Mises, os sistemas constitucionais adotados no final do século XVIII e XIX foram insuficientes. Eles dissociavam aspectos políticos de aspectos econômicos, que para Mises não é possível.

“O homem não é um ser que tenha, por um lado, uma dimensão econômica e, por outro, uma dimensão política, dissociadas uma da outra.  Na verdade, aquilo a que comumente se dá o nome de deterioração da liberdade, do governo constitucional e das instituições representativas, nada mais é que a consequência da mudança radical das ideias políticas e econômicas.  Os eventos políticos são a consequência inevitável da mudança das políticas econômicas”, escreveu Mises.

Filósofos, juristas e estadistas que pensaram nos fundamentos do novo sistema político desconsideraram a luta partidária e a diferença de opiniões como um fator determinante para a condução dos negócios estatais. Partiram do pressuposto que o governo não iria interferir no mercado e que os cidadãos desejariam apenas o bem-estar do país. Porém, o que se observou é que partidos políticos se transformaram em grupos de pressão formados por pessoas que desejavam alcançar privilégios à custa dos demais cidadãos.

O resultado disso é que esses grupos de pressão estão, inclusive, espalhados pelas diferentes siglas. Em partidos que defendem posições antagônicas. Tal deputado defende os interesses de tal grupo, que pode encontrar algum ponto de concordância com o representante de outro grupo interessado em criar uma coalizão e formar uma maioria. Muitos sindicalistas também estão representados. Só quem não está representando nos Parlamentos é o conjunto da nação.

As mudanças políticas não previstas, frutos do intervencionismo, reduziram a possibilidade das nações de barrarem aspirações de ditadores. Eleitores privilegiados não levam em conta que o desejo dos outros está sendo suprimido e parlamentares não são eleitos para atender ao interesse geral. Não era essa a ideia dos fundadores das constituições, que os legisladores atendessem a interesses específicos.

Mises pontua que a ditadura não é a solução para os problemas das constituições e cita a terrível ditadura alemã como exemplo da deterioração da liberdade e decadência da civilização. Também indica que não existem civilizações independentes, mas sim interdependentes, que exercem influência umas sobre as outras.

Ao final do último capítulo, Mises ainda reforça: “Ideias, e somente ideias, podem iluminar a escuridão”. Cita economistas clássicos como Adam Smith, David Ricardo e Bastiat como exemplos e afirma que a sociedade sobreviverá respaldada em ideias melhores. As ideias de Karl Marx e Engels, burgueses que diziam incorporar o proletariado mesmo sendo filhos de pais abastados, não vão colar mais. Não apresentam resultado positivo, apenas muito sofrimento por quem experimentou o comunismo/socialismo.

Somos a nova geração e temos muita história para analisar. Devemos nos apaixonar por ideias que deram certo e por economistas que apontaram como e por qual motivo essas ideias foram corretamente implementadas. As ideias liberais, não por coincidência, servem para refutar o que não funciona. Vamos aproveitá-las!

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