As frutas proibidas

Postado por: Adalíbio Barth

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Quem passou um tempo de sua vida escolar em internato de religiosos, sempre conta alguma vantagem, típica de adolescentes de frágeis convicções e inexperientes em sua caminhada em busca de uma vida mais segura. Há necessi­dade de regras comuns para um bom andamento da vida comunitária, caso con­trário, se cria um ambiente de insegurança, incapaz de gerar certezas, formar convicções e estabelecer uma disciplina que favoreça a formação do caráter.

Foi o que aconteceu com um grupo de normalistas num pensionato de re­ligiosas. Para a manutenção de muitas alunas internas, havia o trabalho de horta e pomar, para que as mesas fossem servidas com deliciosas saladas, cultivadas segundo as exigências ecológicas de nosso tempo. No pomar, as laranjeiras os­tentavam em seus galhos, apetitosas laranjas de umbigo, ainda não totalmente prontas para o consumo. De comum acordo, decidiram não consumi-las antes do tempo de seu amadurecimento e sempre de maneira comunitária, para que cada uma tivesse a mesma oportunidade no momento da partilha. Estabelecida esta norma, deveria também ser rigorosamente observada. A transgressão dessa regra era severamente reprovada.

Um belo dia, a Irmã responsável pelo trabalho da casa, passeou pelo po­mar e constatou a falta de muitas laranjas. A suspeita pelo sumiço das tenta­doras frutas recaiu sobre as internas. Reunidas para averiguação das culpadas, ninguém se acusou dessa falta de civilidade. Ante o imprevisto, restou um expediente pouco comum: reunir a todas diante do sacrário, na capela da casa, impossibilitando as meninas de mentirem diante de Jesus.

Agrupadas nesse ambiente silencioso e um tanto constrangedor, uma delas confirmou à Religiosa:

- Ninguém vai mentir e vamos fazer isso por escrito.

A formadora concordou. Todas escreveram um bilhete e depositaram-no ao redor do Santíssimo. Todavia, quando a curiosa irmã foi verificar quem se acusara da transgressão, teve uma surpresa. Em todas elas estava escrito, uma verídica confissão:

- Fui eu, Jesus!

 A obediência não significa aceitar cegamente o que um superior manda e des­manda. Todas as pessoas foram criadas à imagem e semelhança de Deus, na inteli­gência, na vontade e na liberdade. Sem compreender as razões, não será possível educar alguém para a liberdade. Há pessoas que desejam impor-se pelo cargo que ocupam, mas carregam um fardo insuportável para elas mesmas e seu grupo de obe­dientes.

 

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