Agro tendências

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O agronegócio representa 24% do PIB, 37% dos empregos e 46% das exportações brasileiras, gerando desconcentração econômica e desenvolvimento social  Brasil afora. Dados recentes, demonstram que 72% dos municípios que mais avançaram nos últimos tempos em termos de IDH são  aqueles ligados a produção de  soja. As lavouras representaram 65,1% e a pecuária 34,9% da receita dos produtores rurais em 2016.

Nos países desenvolvidos, os mercados alimentícios já são considerados maduros, ou seja, o consumo de alimentos já é considerado elevado e a população cresce a taxas baixas e/ou frequentemente até diminuem em valores absolutos. Esses mercados consumidores anseiam pela inovação nos produtos já comercializados. Somado a isso, estes, alteram seus hábitos de consumo (produtos orgânicos, carne produzida a pasto, cuidados com bem estar animal, entre outros) demandando pela geração novas estratégias que conquistem estes novos nichos de mercados. Assim, a modernização do campo depende do essencialmente do empreendedorismo dos produtores, das novas tecnologias aplicadas na indústria de alimentos e, principalmente da transparência e segurança na produção destes alimentos.

O Brasil é o maior exportador de carne bovina e carne de frango do mundo. Não por acaso, a produção em escala, tecnologia e qualidade são os pilares da indústria de carnes no país. Fornecedor de carne para o mundo, destina 26% da produção à exportação, fazendo com que o complexo carnes seja o segundo bloco mais importante nas exportações do agronegócio brasileiro. Em 2016, a receita cambial alcançou U$$ 5,5 bilhões, sendo que a participação do Brasil na exportação mundial de carnes de Aves foi de 38% (1º. Lugar); Bovina: 20% (1º. Lugar) Suína: 11% (4º. Lugar).

A produção total de carnes (aves, bovinos e suínos) alcançou 26,6 milhões de toneladas em 2016. Contudo, o Brasil ainda continua sendo o grande mercado consumidor, tendo o consumo interno absorvido  mais de 70% da produção. Em se tratando de carnes, o consumo per capita total (bovina, aves e suínos) nos países desenvolvidos (68 kg) já é mais do que o dobro daqueles países em desenvolvimento (28 kg). Contudo, o fluxo dinâmico das carnes está cada vez mais se direcionando para a Ásia, seja pelo aumento da população, seja pela mudança nos hábitos de consumo daquela população. Outro destino em expansão se dá ainda, para os países africanos, embora o consumo per capita ainda é considerado baixo tendo em vista o poder de compra.

Ainda assim, dados da produção animal podem ser considerados parciais, uma vez que,  não levam em conta os abates clandestinos e os não fiscalizados, especialmente de bovinos.

Depois de décadas ocupando o território brasileiro, especialmente no Centro-Oeste e no Norte, a pecuária vem cedendo cada vez mais espaço para o crescimento das lavouras, tendo em vista o preço das commodities nos últimos anos, especialmente a soja.

A modernização da pecuária tem surgido por meio de alguns vetores: O Brasil se consolidou produzindo animais a pasto, de forma  natural. O abate de gado alimentado em confinamento envolve apenas cerca de 10% do abate total de cerca de 39 milhões de cabeças. O aumento da produtividade, com maior produção de carne por hectare e a produtividade do rebanho, mais carne com menos gado, são os principais avanços obtidos nos últimos anos. Outro fator importante tem sido a integração lavoura, pecuária e floresta, ampliando a produtividade do capital no campo, a sustentabilidade da produção e, principalmente a preservação das florestas.

O futuro estará cada vez mais pautado pela preocupação com uma produção sustentável, preocupada com o meio ambiente e também com o bem estar animal.

 

Deniz Anziliero é Coordenador do Curso de Medicina Veterinária da IMED

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