Os sujeitos e as ferramentas científicas

Postado por: Israel Kujawa

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As ferramentas disponíveis para os sujeitos do mundo contemporâneo advém das diversas especialidades e são úteis para descrever e construir realidades concretas. No entanto, as especialidades são limitadas pelo recorte, se restringindo a uma dimensão pequena da realidade, apresentando poucos ou nenhum investimento e esforço para relacionar as partes entre si. Esta metodologia de construção de conhecimentos, caracterizado como de alta especialização, está desconectada dos fatos sociais e da vida na sua dimensão humana.

O humano é resultado de construções culturais, abstratas, imaginárias, imateriais que foram separadas do método científico, que se pretende objetivo, exato e concreto. Supostamente, o conhecimento científico deveria estar a serviço do ser humano, no entanto os exercícios de “humanização” dependem da relação direta das pessoas entre si e com a natureza, nos quais a técnica se apresenta como ferramenta e não como o centro das relações. Desse modo, a humanização passa pela capacidade de perceber e avaliar o equilíbrio nos modos de convivência. Nessa relação se faz necessário a pergunta global para identificar o status desempenhado por cada um desses três componentes da realidade.

Por um período significativo o ser humano imaginou e apostou que a natureza também seria uma ferramenta, a ser conhecida, subordinada e instrumentalizada, para a realização das necessidades e dos desejos das pessoas. Com o decorrer do tempo, o ser humano foi construindo técnicas que facilitaram a manipulação do meio, para continuar existindo com o máximo de segurança e conforto possível. Entre as primeiras transformações, vale relacionar as que permitiram a produção de alimentos, a construção de casas e a defesa das ameaças contra a própria integridade física.

 O modelo científico moderno pode ser simbolizado na aposta do ser humano em conhecer completamente a natureza e na instrumentalização da mesma para benefício próprio. Assim, as crises vividas na sociedade do século XXI devem ser entendidas, também, como crises de tal modelo, representado em um modo de relacionamento entre esses três componentes da realidade, que são a natureza o humano e a tecnologia. Por mais evoluída que a ciência esteja, ela ainda não viabilizou e parece se distanciar do atendimento das necessidades básicas para os indivíduos no seu conjunto, no qual estão incluídos a segurança alimentar, habitacional e física.

Vivemos um distanciamento abismal entre as pessoas, a natureza e a tecnologia, assim como, grande parte do conhecimento produzido no meio acadêmico, não se relaciona com as necessidades humanas. Para além de entender, controlar e atender as necessidade, se faz necessário relacionar com um dos seu pontos de partida, que se localiza na dimensão do desejo, das emoções e dos sentimentos. As ferramentas científicas que desconsideram ou negam as emoções sociais e a neurologia do sentir estão desconectadas de aspectos centrais do movimento que explica o comportamento e o existir dos sujeitos.

 

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