A história do Dia de Finados e a relação da vida com a morte

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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O encontro da cultura cristã com a cultura celta, deu origem a comemoração do Dia de Finados, celebrado mundialmente no dia 02 de novembro. A abordagem da morte feita pelas comunidades religiosas, é uma abordagem conformadora, de salvação e de dias melhores, marcando o fim de uma trajetória de vida terrena, para uma nova vida, de evolução e presença divina. Já a comunidade científica, trata a morte como algo extremamente natural, uma vida finita explicada cientificamente pela biologia humana. A sociedade de consumo e a maioria das pessoas, evitam abordar a morte como fato inevitável a todos nós.  

Os celtas eram povos que habitavam a região da atual Irlanda e tinham em seu calendário, a festa conhecida como “Samhain”. Eles acreditavam que neste dia, os dois mundos: mundo dos vivos e mundo dos mortos, estariam mais próximos, celebrando assim esta união. No século V a Igreja Católica dedicava um dia por ano para rezar pelos mortos, quando então, o abade do Mosteiro de Cluny na França, Santo Odilon, em 998 D.C., pediu para que os monges orassem por todos os mortos do mundo. Os papas Silvestre II (996 D.C.) e João XVII (1.012 D.C.), convidaram a comunidade cristã a dedicarem um dia do ano aos mortos, ficando definido então, o dia 02 de novembro como o dia oficial de Finados. No Brasil, a cultura de rezar pelos mortos foi introduzida pelos portugueses. A comunidade cristã, trata a morte com muito respeito e veneração, pois Jesus Cristo morreu pregado na cruz, para salvar os seus seguidores.

Nos dias de hoje, a cultura de rezarmos pelos mortos no dia 02 de novembro, ainda é muito presente em nossa sociedade, principalmente entre os católicos. A morte vista pelo olhar cristão, serve para valorizarmos a vida e aprovarmos a nossa fé. As pessoas que conseguem viver com a visão de vida finita, são pessoas mais felizes, que saboreiam mais a vida do que aquelas que vivem uma vida de apegos, de escravidão mercadológica e capital. De um modo geral, a sociedade de consumo, evita em trazer a realidade da vida finita, para o conhecimento das pessoas, que em tese, passariam a ter um outro comportamento de vida. Você já imaginou se fosse diagnosticado com apenas mais alguns meses de vida? Com certeza estes últimos momentos de sua vida seriam vividos de uma outra forma... Pesquisas realizadas com pacientes terminais, onde lhes foi perguntado sobre o quê eles gostariam de ter feito mais em vida, surpreenderam a todos pela simplicidade dos desejos, onde alguns destes foram os seguintes: estar com a família e amigos; contemplar um por do sol, a natureza; brincar com os filhos, netos, com animais de estimação e assim por diante...  

De um modo geral, as pessoas que tratam o tema da morte, com apoio espiritual de fé e religiosidade, tendem a superar com menos sofrimento a perda de um ente querido. O verdadeiro sentido da vida e o fascínio misterioso que a envolve, só tem o valor que tem, pela existência da morte. Quando nos deparamos com a morte, vemos o quanto são inferiores a maioria dos problemas que achamos que temos. Hoje é dia de finados, vamos fazer nossas orações pelos mortos, buscar boas lembranças daqueles que já partiram, porém, vamos celebrar a vida, valorizar cada momento, viver intensamente tudo de bom que a vida nos oferece.  

“Quem não tem medo da vida também não tem medo da morte”. Arthur Schopenhauer

 

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