Feira do Livro

Postado por: José Ernani Almeida

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A Trigésima Primeira Feira do Livro de Passo Fundo tem como slogan “Livro, a escada para o mundo do conhecimento”. Aliás, muito oportuno, quando alguns entendem que livros  devem ser proibidos. Seria a volta do  Index  Librorum  Prohibitorum?

Livros, ao contrário do que pensam os conservadores de plantão, permitem a reflexão e a discussão de valores, posições éticas e atitudes políticas. Livros permitem conhecer melhor o mundo e construir uma visão humanista e crítica, em um tempo marcado por preconceitos, racismos e intolerância.  Livros foram feitos para serem vistos e lidos, não proibidos.

A feira nos oportuniza conviver intensamente com o livro, com a leitura e seus autores. O livro, como diz o slogan da feira, é a escada para o mundo do conhecimento. É o verdadeiro instrumento para conhecer melhor o mundo. Ele nos transporta para outros tempos, outros lugares, outras culturas.  Nos leva a sonhar e a pensar.

A capacidade verbal, hoje uma das carências das nossas novas gerações, só será enriquecida e desenvolvida pela leitura. A leitura regular de livros é fundamental em qualquer fase da vida. E tem mais. Cada leitor dá ao que está sendo um tratamento todo pessoal, único. Sentirá, ou não, um efeito diferente diante dos personagens, das narrativas e da muitas históricas apresentadas.

Muitas delas exigirão mais do leitor: algumas meramente descritivas, outras marcadas pela sensibilidade às nuances da linguagem, situações ambíguas e personagens complexos. Toda a leitura, em qualquer época, é uma viagem sem fim, que permanecerá na memória por toda a vida. O livro, uma invenção que surgiu na China o ano de 868, nunca mais deixou de ser fundamental na vida das pessoas. É aquilo que podemos chamar de uma invenção tecnologicamente perfeita. Não por acaso, atravessou séculos, como o mais simples e prático instrumento para o registro e transmissão de ideias.

Hoje, quando vivemos a era da alta tecnologia, onde o mundo é movido por informações tecnicamente prontas, o livro é o grito contra a globalização padronizada, contra o anacronismo dos que querem proibi-lo, que leva ao uso cada vez mais limitado da imaginação.

Hoje, a alta tecnologia, faz com que o trabalho de pensar, de criar, seja transferido para outros instrumentos, como a internet. Para os algoritmos, de que nos fala Yuval Noah Harari, em seu livro “Homo Deus, uma breve história do amanhã”. A maioria, infelizmente, prefere a limitação da massificação daquilo que encontra pronto. 

É bem verdade que os avanços de hoje, são fruto dos conhecimentos desenvolvidos pelos ávidos leitores do passado. São o fruto dos imaginativos leitores que se escondiam e, ainda se escondem, atrás das páginas que incentivaram e incentivam o criar, o pensar, o mudar.

A “escada para o conhecimento” que o livro nos oferece precisa ser usada e não censurada, como apregoam alguns medievais.  Quando se fala em censurar, limitar, patrulhar o livro o que se busca, na verdade, é que apenas“ um conhecimento”  seja  alvo da narrativa.  Nada pode ser mais anacrônico e reacionário. Não vai ser no grito, com blasfêmia, ódio ou radicalismo que vamos mudar este país, mas com diálogo, educação e muitos livros.

A escada para o mundo do conhecimento, isto é, o livro, deve ter seu espaço garantido nas Feiras do Livro, nas bibliotecas e nas salas de aula. Como disse Francis Bacon: “Leia não para contradize nem para acreditar, mas para ponderar e considerar. Alguns livros são para serem degustados, outros para serem engolidos, e alguns poucos para serem mastigados e digeridos. A leitura torna o homem completo, as preleções dão a ele prontidão, e a escrita torna-o exato”.

Ao escrever este artigo, lembrei-me da primeira Feira do Livro, realizada em 1977, na Praça Tamandaré, que teve como organizador o prof. Welcy Nascimento. Fiz a cobertura do evento pela rádio Planalto, tendo o privilégio de entrevistar, entre outros, Josué Guimarães, Moacyr Scliar, Décio Freitas e Ruy Carlos Ostermann.

Em plena ditadura militar, o livro resistia. De forma muito significativa o livro mais vendido na Feira de 1977, foi “Tambores Silenciosos”, de Josué Guimarães.  Belas lembranças!

Portanto, vamos curtir a 31ª Feira do Livro, que tem como patrono o grande Luís Fernando Veríssimo, um dos mais importantes intelectuais brasileiros contemporâneos, como Educador Emérito o Ir. Victor Rosseto  e  como  Amigo do Livro  o  Hospital da  Cidade.  Boa leitura!

 

 

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