A despedida do amigo

Postado por: Adalíbio Barth

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A despedida de um ente querido sempre é realizada num clima de como­ção e de profunda tristeza. Os familiares e parentes próximos ficam com os sentimentos à flor da pele. A razão não funciona mais. Não há palavra que os console facilmente. Na funerária gastaram muito, porque não quiseram aparen­tar pobreza, contratando, pois, os melhores serviços.

Doutro lado, as pessoas que aparecem na igreja, para combinar os detalhes do velório, a encomendação e o sepultamento, muitas vezes vêm prevenidas com argumentos, para facilitar o máximo o enterro da pessoa amada, sem arcar com alguma despesa. Não querem saber se a pessoa falecida contribuiu com a comunidade, se participava das promoções e celebrações comunitárias ou do dízimo paroquial. Somente querem ser bem atendidas, receber as condolências e convidar a todos para o sétimo dia. Neste momento, não adianta apresen­tar-lhes razões para isso ou aquilo, porque são pura emoção em ambiente de consternação.

Há, todavia, costumes diversos, em ambientes mais nativos de nossa terra. No velório cumprem o desejo do falecido para tocar certas músicas e cantar cantos de tradição, previamente agendados. Realizam igualmente a vontade da família, oferecendo faustos manjares a todos os que participam. Assim, não lhes custa preparar um gostoso churrasco, servido com saladas e cucas, como prêmio à guarda realizada. O bom serviço oferecido pela família, é avaliado pelas iguarias e guloseimas apresentadas. Ninguém quer perder, em agrados e gentilezas, para um velório anterior acontecido na redondeza.

Foi assim que um peão de estância se expressou, no dia seguinte ao sepul­tamento, ao ser perguntado sobre o funeral de pessoa amiga, após a avaliação de todas as regalias oferecidas:

- “Foi um bagual de um velório”.

Os velórios realizados em nosso meio, mais parecem uma festa e encontro de familiares do que real despedida de alguém que parte definitivamente. Reza-se pou­co pela pessoa amada. Comentam-se fatos acontecidos em sua vida, o capital que deixou e o risco de conflito na partilha dos bens. Faz-se de tudo para não pensar na eternidade.

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