Competitividade: desafio brasileiro

Postado por: Adriano José da Silva

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O Brasil caiu da 123ª para a 125ª posição no ranking do Banco Mundial que compara o ambiente de negócios em 190 países do mundo, apesar de ter registrado uma pequena melhora na sua pontuação. Segundo o relatório Doing Business 2018, todos os demais parceiros no Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) estão à frente do Brasil no ranking. O país também está atrás dos vizinhos Argentina (117º), Peru (58º) e Chile (55º).

A liderança é da Nova Zelândia, seguida por Cingapura, Dinamarca, Coreia do Sul e Hong Kong. Os Estados Unidos subiram do 8º para o 6º lugar. A China subiu quatro posições, do 78º lugar para o 74º. Já a Índia avançou 30 colocações, para a 100ª posição, um dos saltos mais chamativos da lista. Segundo o Banco Mundial, isso ocorreu devido a uma “significativa simplificação” da burocracia para abrir um negócio.

O relatório anual que mede o impacto das leis e regulações e da burocracia no funcionamento das empresas. Entre os itens avaliados estão o número de dias gastos na abertura de empresas, no pagamento de impostos, na obtenção de alvarás de construção, na conexão com a rede elétrica e no registro de uma propriedade, na obtenção de crédito e na execução de contratos e resolução de insolvência.

Segundo o Banco Central, o Brasil continua sendo o País onde as empresas gastam mais tempo para calcular e pagar impostos: 1.958 horas por ano em média. Na Bolívia, que ocupa o penúltimo lugar, são 1.025 horas por ano. Na Argentina, por exemplo, o tempo médio é de 311,5 horas/ano. Já no México o número cai para 240,5 horas/ano.

Apesar de continuar na lanterninha, o Brasil conseguiu reduzir em 80 horas o tempo gasto por ano com pagamento de impostos. No relatório do ano anterior, eram 2.038 horas em média.

Entre os avanços ocorridos no Brasil, o relatório cita a redução do tempo médio dos procedimentos de importação e exportação e o maior intercâmbio dos dados eletrônicos entre os governos. O relatório cita também um estudo que aponta que uma redução de 10% na complexidade fiscal é comparável ao corte de cerca de 1% nas taxas efetivas de impostos.

No critério geral de “pagamento de impostos”, que considera também o peso dos impostos e contribuições obrigatórias em relação ao lucro, o Brasil aparece na 184ª posição entre os 190 países analisados.

O Brasil aparece nas últimas colocações também nos quesitos abertura de empresas (176º) e obtenção de alvarás de construção (170º). O melhor desemprenho foi em relação a obtenção de energia elétrica (45º), proteção a investidores minoritários (43º) e execução de contratos (47º).

Como o Brasil poderá ser competitivo, se mais  da metade dos alunos do 3º ano do ensino fundamental da rede pública do Brasil têm níveis de leitura e matemática considerados insuficientes, segundo dados de avaliação nacional de alfabetização realizada no ano passado. Em escrita, mais de um terço estão defasados.

Na comparação com a última edição, em 2014, a situação é de estagnação em leitura: 56% dos alunos estavam em níveis insuficientes em 2014, e agora são 55%. Esses alunos não teriam a competência de localizar uma informação explícita em textos como lenda e cantiga folclórica.

Em escrita, 34% dos alunos estão em nível insuficiente. Não conseguem, por exemplo, fazer uso adequado da pontuação, de modo a comprometer uma narrativa. Já em matemática 55% dos alunos têm desempenho insuficiente. Não resolvem, por exemplo, contas de subtração com dois algarismos. Eram 57% em 2014.

Fico me questionando, até quando vamos esperar para fazer o que precisa ser feito em termos de educação? Até quando iremos ignorar a necessidade de modernizar o estado brasileiro, para atender as expectativas futuras?

Todas as mudanças que o Brasil precisa, deverão ser iniciadas pela educação, sem educação não existirá futuro, inovação, oportunidades, desenvolvimento social e uma nação próspera e competitiva, com paz social e sem desigualdades.

Fonte: O Globo; Folha; MBC;G1.

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