Inusitados acessórios do Fusca – III

Postado por: Júlio César de Medeiro

Compartilhe

Hoje trazemos a última parte da nossa incursão pelos acessórios inusitados do Fusca e seus nomes e funções pitorescas.

Vamos começar por um mais conhecido.

- Dentadura de baiano: é a grade de metal que se pode instalar na grelha traseira de ventilação do Fusca, abaixo do vidro vigia e também nas grelhas da tampa do motor. Foi utilizado como acessório estético desde os primórdios, sendo que já na década de 50 os Fuscas alemães e americanos ostentavam o acessório. No Brasil, o apelido “dentadura de baiano” foi dado por causa das pontes metálicas que fixavam os dentes postiços dos nordestinos (não só dos nordestinos, diga-se de passagem). Podiam ser compostas de uma ou duas peças inteiriças ou de várias peças menores. Algumas empresas fabricavam “dentaduras de baiano” até para a entrada da caixa de ar do capô do porta-malas. O anúncio da mais famosa fabricante do acessório a década de 60 (Metalúrgica Zaccaria Ltda) era muito engraçado: “fácil de colocar e embeleza horrores”.

- Quebra joelho: aqui no sul é mais conhecido como “porta-treco de bambu” ou “bambuzinho do Fusca”, mas o apelido de “quebra joelho” tem muita razão de ser. É um acessório de época que dava solução para um problema crítico do besouro, a falta de espaço. Instalado sob o painel, todos os pequenos objetos que você não tinha onde largar podia jogar ali e andar descansado. Várias empresas e artesãos fabricavam e vendiam o acessório, havendo muitos modelos, todos muito parecidos. Uma variação interessante é o “meio quebra joelho”, onde se podia optar por instalar somente do lado do motorista ou do lado do carona a metade do acessório. Modernamente alguns modelos em metal leve estão à venda na internet, mas o modelo tradicional, feito de bambu, é sempre o mais requisitado.

- Gela saco: este talvez seja o menos conhecido dos acessórios do Fusca, até porque teve vida curta. Em 1951 a VW, pensando em melhorar o sistema de ventilação do Fusca, desenvolveu um curioso aparato. Ainda na linha de montagem eram adicionadas aberturas laterais de ventilação, logo à frente da porta. Era basicamente uma portinhola que podia ser acionada por dentro do carro e que, quando aberta, mandava ar fresco para dentro. O interessante é que, pela posição da abertura, o vento era direcionado diretamente para as partes baixas dos ocupantes dos assentos dianteiros, o que acabou gerando o curioso apelido, usado, claro, só no Brasil. Já em 1952 o sistema foi abandonado por razões óbvias: causava mais desconforto que conforto aos ocupantes.

- Chega mais: esse acessório era uma opção mais acessível para quem não podia ou também para quem não queria trocar todo o conjunto dianteiro de bancos do Fusca por bancos inteiriços, moda nos anos 60. Teve vários apelidos como “vem cá meu bem”, “banquinho do amor” ou “banquinho namorador”, mas o que pegou mesmo foi “chega mais”.  Resumindo, era um banquinho feito especialmente para ser colocado entre os bancos dianteiros, sobre o freio de mão, sem nenhum tipo instalação ou fixação. Se por um lado a utilização do freio de mão ficava um pouco mais complicada, quem usou o “chega mais” garante que os benefícios de ter sua paquera bem juntinho no Fusca valia o incômodo.

BÔNUS

- PQP: sabe aquela alça do painel do Fusca que fica à frente do carona? Então, o “nome científico” dessa peça é... alça do painel do Fusca! Mas, como quase tudo no Brasil ganha um apelido, essa alça ficou popularmente conhecida como PQP, expressão que o passageiro sempre largava quando era pego de surpresa por alguma manobra mais arriscada do motorista. Outros apelidos, dados conforme a região do país, foram “puta merda”, “pega jacu” ou “segura jacu”. Até 1960 o Fusca não tinha essa alça, que passou a sair montada de fábrica para dar mais segurança ao passageiro, pois os cintos de segurança ainda eram opcionais.

 

Leia Também 33º Domingo do Tempo Comum. O Enart, de novo! A importância de ter uma recepcionista/secretária preparada em seu consultório. Feito é melhor que perfeito