A construção do reconhecimento não termina com o fim de uma greve

Postado por: Israel Kujawa

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Toda forma de luta por reconhecimento deve ser entendida, assimilada e incentivada. A greve é uma ferramenta, portanto um instrumento para atingir determinado fim, mas não é o único. No mundo contemporâneo, denominado de modernidade líquida, por Zygmunt Bauman, os instrumentos são obsoletos e contraditoriamente se apresentam como um fim em si mesmos, pois a maioria das pessoas são vítimas do pensamento não reflexivo e coercitivo. Ao abdicar de exercitar o pensamento crítico, para orientar o próprio comportamento, não percebem as relações entre o presente, o passado e o futuro, nem visualizam os meios existentes, para a construção do próprio reconhecimento.

Todas os meios, quando usados de forma adequada e moderada trazem bons resultados. Essa ideia se encaixa, por exemplo, com o uso do computador, do celular, bem como das greves, entre as quais as lideradas pela direção geral do CPERS/Sindicato. No entanto, quando essa relação entre os sujeitos que usam determinado instrumento (a greve), não tem os cuidados reflexivos para saber quem está a serviço de quem, qual é o contexto e o alcance, se tornam apenas uma peça a serviço de interesses não explicitados.

Os trabalhadores em geral, assim como os dos serviços educacionais, públicos o privados, em sua grande maioria, dependem da venda da sua força de trabalho para sobreviver. A visão individualista, o crédito e o consumismo, presentes em nossa identidade social, são reforçados pelo modelo tecnológico, político e econômico mundial que enfraqueceu (implodiu) com os conceitos de categorias e de classe, existentes no século passado. Os professores da rede pública estadual, da década de 1980 eram profissionalmente identificados como professores estaduais. No século XXI, exercem outras funções, entre as quais, de professores das redes municipais e da rede privada de ensino. Essas atuações em diversas áreas caracterizam uma mudança de identidade.

Para além da visão global, no sentido cronológico, geográfico e econômico, se faz necessário caracterizar, da melhor forma possível, o momento e o espaço presente. Nesse sentido, vale registar que estamos sendo dirigidos por um governo estadual e nacional alinhados entre si e com as visões semelhantes do ex-presidente Fernando Henrique e do ex-governador Antônio Brito. A maioria das pessoas que foram para a rua e protestaram em 2013, 2014 e 2015, não relacionaram o próprio comportamento com o modelo de gestão defendido por quem conseguiu retornar ao comando do poder institucional, sintetizados nas figura de Temer e Sartori. Da mesma forma, a maioria dos eleitores do atual governo do Rio Grande do Sul, entre eles, muitos professores, não exercitaram a prática reflexiva, necessária para o comportamento consciente e para o reconhecimento individual e social.

 

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