O Enart, de novo!

Postado por: Dilerman Zanchet

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Gosto da frase: “Não guardo mágoas, mas tenho boa memória”. Não sei de quem é a autoria. Mas é de uma Inteligência sem tamanho.

Pois, com esta frase e recordando na memória o ano de 2014, estamos mais uma vez às portas do Enart. É sem dúvidas, o maior festival de arte e tradição do mundo.

São mais de quatro mil concorrentes, uns 20 mil acampados, mais de 100 mil assistentes. Dez palcos. Uma estrutura para poucos municípios terem condições de fazer, ainda que nem sempre agrade ou ofereça a estrutura necessária.

Em 2014 começamos um artigo, neste espaço, assim:

“Você acompanha o desempenho do seu grupo de danças ou de seu concorrente na modalidade individual, independente de qual seja, durante todo o ano. Você não precisa ser pai, mãe, namorada, namorado, tio, tia, enfim, nenhum laço te prende ao concorrente, exceto a amizade e ao amor, à dedicação que vês que aquela pessoa tem. Então ela participa dos rodeios, ensaia duas, três, quatro horas por dia, por diversos dias da semana. A grande maioria ainda estuda, trabalha, tem que arrumar tempo para se dedicar aos pais, aos namorados, aos filhos, etc. Mas estão ali, noites após noites ensaiando para um sonho. Qual sonho? Ser campeão ou classificar bem em Santa Cruz, no Enart.

Bem, então chegou a classificação. Depois da fase regional, da macro e de muita luta, enfim, Santa Cruz. E de agora em diante vamos focar num grupo de danças, para não sermos tão específicos. Porque a especificidade é superficial, diria um gaúcho, barriga expoente, lenço colorado e bigodão, que conheci há algum tempo em Porto Alegre.

Então, a partir de agora, o assunto é com a patronagem: Vai ou telefona à santa Cruz, procura pelo responsável pelo acampamento, confirma o local, reserva hotel para o grupo, procura na entidade os responsáveis pela infraestrutura, aluga caminhão, ônibus, compra mantimentos e “simbora” para Santa Cruz, geralmente um dia antes que o grupo, para deixar a estrutura pronta. Todos felizes, ansiosos pela classificação para o domingo. Sim, porque, antes de pensar em ficar entre os cinco finalistas, tem que passar para o domingo. São 40 grupos em cada força (A e B). Somente 20 se classificam. E os grupos formados são fortes. Reunião no hotel, no acampamento para avaliar a apresentação. Não só de sua invernada, mas, principalmente, das demais que formaram o grupo.

E varam a madrugada de sábado para, num grito incontido de alegria, comemorar a classificação, ou num choro desesperador, sepultar o sonho ou transferi-lo para mais um ano”.

Enart é isso!

É emoção, dança, alegria, amizades, e muita, mas muita expectativa e dedicação.

Noites infinitas, ensaios, torções, vozes roucas, afinação de instrumentos. Joelhos estourados. Choro de pais, emoção de artistas.

Enart é o Rio Grande do Sul.

Enart é o nosso Rio Grande.

Enart é para gaúchos, de fato e fiéis às tradições.

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