A ciência como ferramenta para a sabedoria

Postado por: Israel Kujawa

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A ciência da tradição ocidental está localizada na idade antiga, identificada em figuras como Hipócrates (460-370 a.C.), formalmente referenciado nos cursos de medicina e por Aristóteles (384-322 a. C.) que é uma das importantes referências para as ciências da natureza, especialmente a biologia e se opôs ao dualismo platônico, o qual separou o mundo material e o mundo das ideias.  A cisão e a primazia do formalismo, se consolidou na religião medieval e posteriormente no racionalismo cartesianismo.

Diferentemente do racionalismo atribuído a Platão, o empirismo localizado em Aristóteles propõem uma visão integrada do conhecimento, com a aproximação entre a ciência empírica e a metafísica, com centralidade para a dimensão prática da ética e da política. Uma das ciências mais comentadas no mundo de hoje é a usada para descrever cenários de crise ou de prosperidade econômica. Em nome do bom desenvolvimento econômico, nas últimas décadas, estão sendo feitas reformas na legislação trabalhista e previdenciária, que significam a retirada de direitos e aumento da contribuição previdenciária dos trabalhadores.

Existem referências mundiais da ciência econômica que sinalizam para uma dimensão negligenciada pelas reformas econômicas, incluindo as do atual governo brasileiro, que não atribuem centralidade para a dimensão prática da economia. Entre essas referências estão Amartya Sen e Thomas Piketty, que defendem a centralidade da ética e criticam a concentração da renda. No livro: “Ética e economia”, Sen se apoia no filósofo empirista para criticar a desenvolvimento da economia como uma ciência e a suposta liberdade individual social, apoiada na engenharia e na formalidade, separada das necessidades básicas para a existência material. No livro: “A economia da desigualdade”, Piketty atribui centralidade para o debate dos mecanismos econômicos que produzem a desigualdade.

A reflexão desses pensadores deve ser entendia como uma proposta de ciência que relaciona e agrega. Nesse sentido não é possível aperfeiçoar a convivência humana, elevando os níveis de satisfação e realização, separando a economia da ética e da justiça, bem como a liberdade da sustentabilidade material. Trata-se de um método científico que se conecta e promove a sabedoria, com intervenções que devem visar a superação do abismo entre quem tem excessos e quem não tem o básico ou sequer o mínimo. Desse modo, a ciência contribuirá para o aperfeiçoamento da capacidade cognitiva, assegurando condições materiais e psicológicas para o bem viver. 

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