William II

Compartilhe

A continuidade dos temas sobre o racismo precisa impactar o nosso dia a dia por diferentes motivos. Primeiro, para superarmos toda e qualquer forma de classificação e discriminação de pessoas. Segundo, para integrar solidariamente as pessoas que desde as convicções mais caras da humanidade – a herança do cristianismo – entende as pessoas com igual dignidade. Terceiro, para denunciarmos as tentativas de utilizar esse tema grave para autopromoção ou outras vantagens pessoais. Quarto, para corrigirmos a linguagem, brincadeiras ou atos que possam prejudicar as relações de amizade, na família e outros relacionamentos. Quinto, para sabermos que a dramaticidade da escravidão atingiu muitas pessoas ao longo da história – judeus, índios, operários, negros, imigrantes e outros sempre com motivação econômica e, eventualmente, por razões políticas. Assim poderíamos continuar a numeração.

A correção da postura do jornalista é essencial. Entretanto, ele não pode carregar toda a culpa dos brasileiros e da humanidade porque a correção precisa ser direcionada a todos. Os que falam e os que agem, seja na manutenção, seja na promoção de formas de escravidão e discriminação.

Para tanto, cabe recordar as formas atuais de racismo. Chamou atenção do mundo o leilão de jovens homens ocorrido na Líbia há poucas semanas e amplamente denunciado pelo “mundo afora”. Sugiro a leitura desta reportagem.

[http://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelsondesa/2017/11/1936679-em-video-na-cnn-leilao-vende-jovens-negros-na-libia-por-r-1300.shtml].

De outra parte, é fundamental educar as pessoas para o desenvolvimento das capacidades e oferecer-lhes as oportunidades para que tal objetivo seja atingido. O racismo tem muitas causas. Como referi, as motivações econômicas sobressaem e pautam a quase totalidade das discriminações. Mais grave esse fenômeno se torna, quando estas são legalizadas, como ocorreu nos Estados Unidos.

Da lei passa para o comportamento moral e vice-versa. A solução é mais dramática e demorada.

A equilibrada distribuição de renda e oportunidades é uma solução não apenas razoável, mas justa. Esta impulsiona investimentos e distribui com a mesma intensidade oportunidades.

Duas observações. Primeiro: qualificar a educação básica no Brasil que após o ECA universalizou o acesso é um caminho seguro. Segundo: O fortalecimento de Programas Sociais como o Bolsa Família tem o mesmo poder. A integração de ambos corrigiria de forma substancial as discriminações. 

Leia Também O cão, o trigo e o Fusca Não incide IOF sobre fluxo financeiro em participação em sociedade “Enviados para testemunhar o Evangelho da paz” Solução para o atraso