Fusca e outros motores

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Durante toda a sua trajetória o Fusca foi montado com o emblemático motor refrigerado a ar, em versões que ao passar do tempo evoluíram de 1100 para 1200, 1300, 1500 e finalmente, 1600 cilindradas, variando de 38 a 65 cv. Manutenção barata, robustez e confiabilidade faziam contraponto com o alto nível de ruído, consumo e emissão de poluentes. Mas o calcanhar de Aquiles, para uma grande parcela de consumidores, era a potência desses motores. Para quem gostava ou precisava de potência, os motores VW arrefecidos a ar nas configurações de fábrica deixavam muito a desejar, principalmente na década de 80 e 90, quando a gama de motores e modelos a disposição era maior.

Mas, como uma das características do brasileiro é a capacidade de experimentação e adaptação, as tentativas de substituir o coração do Fusca por outros foi um caminho natural. Vamos tratar rapidamente sobre as mais famosas trocas e também sobre alguns experimentos curiosos.

Fusca com motor AP: talvez seja a troca mais realizada nos Fuscas, ao menos no Brasil. Quando a VW lançou o motor AP, sua consagração foi imediata. Colocá-lo então no carro mais amado do mundo parecia uma alternativa lógica, até mesmo pela compatibilidade com o restante do conjunto mecânico. Com o passar do tempo, surgiram até oficinas especializadas nesse tipo de conversão. Mas a maioria das transformações esbarrava em um problema crônico. O motor AP, refrigerado a água, necessitava de uma perfeita adequação do sistema de arrefecimento e esse problema de superaquecimento foi fator determinante para que a moda do Fusca com motor AP não perdurasse. VW Gol e Santana foram os doadores mais utilizados.

Fusca com motor Subaru: para quem contava com mais verbas e mais disposição, uma opção também muito famosa foi substituir o boxer aircooled da VW pelo boxer 2.2 ou 2.0 refrigerado a líquido da Subaru. Esses motores, normalmente retirados de algum Legacy ou Impreza, entregavam quase 140 cv de potência e 20 Kgfm de torque. Comparando com o motor 1600cc do Fusca, é mais que o dobro. Embora tenham dimensões parecidas e praticamente não ser necessário recortar a carroceria, o boxer da Subaru precisa de extensas adaptações mecânicas para que funcione perfeitamente no lugar do aircooled VW, como peças forjadas para o câmbio, usinagem do volante do motor e ainda toda a parte elétrica e eletrônica, como injeção e sensores.

Fusca com motor V8: Pode soar até como heresia para os puristas VW, mas aconteceu. E não uma ou duas vezes. Fuscas com motores V8 tem até grupos de entusiastas. A receita tradicional é instalar o motor na frente e toda a parte de refrigeração atrás, no lugar do motor original, mas modelos com refrigeração na frente também são montados. Ford e Chevy são os mais utilizados e normalmente são carros de exposição.

A italiana Alfa-Romeo também fabricou um motor boxer, da década de 70 até o final da década de 90, que equipou diversos modelos da marca e adivinha? Também foi parar na traseira de um Fusca.

Além desses, existe um Fusca com motor radial de tanque de guerra, com 220 cv e até o boxer 6 cilindros refrigerado a ar da Porsche também já foi parar em um Fusca.

Sabe de mais Fuscas com motores de outros modelos? Conte para gente aqui nos comentários! Grande abraço!

Bônus: no link abaixo você poderá ver uma animação mostrando o funcionamento do motor refrigerado a ar do Fusca, um modelo de 1200 cc.

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