As crianças e o excesso de informações

Postado por: Israel Kujawa

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A ressignificação científica do conceito da infância, em que a criança deixou de ser alguém sem conhecimento é muito positiva.  A criança é um ser inteligente, esse fato não deve ser questionável. No entanto, a reprodução cultural da ideia generalista afirmando que as crianças são mais inteligentes ou que sabem mais do que os adultos contribui para um inversão perigosa nestas relações. Os efeitos da compreensão inadequada e desequilibrada desses papeis sociais devem ser avaliados. Entre os quais, podem ser apontados a fragilização da escola, a desorientação da função institucional da educação e a ampliação do espaço social, para figuras e líderes políticos que representam o autoritarismo, a ignorância e o retrocesso na convivência democrática e humana.

Nesse contexto, em que as crianças são reconhecidas, inadvertidamente, como mais inteligentes que os adultos, os educadores passaram a ter a própria identidade fragilizada, dependente e insegura. Com elevada frequência, o papel social de orientar, educar e ensinar, tornou-se incompreensível e impraticável para quem cumpriu historicamente essa função social. A criança é um ser que tem sabedoria. Contudo, se ela for entendida com alguém que sabe mais do que o adulto, esse passa a ser orientado por um mente juridicamente imputável e psiquicamente imatura.

As informações comercializadas tem um objetivo que precisa ser explicitado. Elas influenciam o comportamento, por priorizarem o lucro em contraposição das práticas reflexivas e críticas. O distanciamento abismal entre gerações e a centralidade no comportamento ignorante e imaturo da pouca vivência e reflexão, contribui para consolidar a cultura do reconhecimento pelo consumo. As biografias e as produções de Friedrich Nietzsche e de Ludwig Wittgenstein apresentam pistas para que o papel social de educar supere a desorientação. E, para que uma criança aprenda a viver em sociedade, com e não contra os outros, se faz necessário limitar as influências das informações comercializadas e expandir os espaços de convivência humana.

O comportamento humano é influenciado por diversos fatores, entre os quais, estão aspectos materiais, genéticos e as informações comercializadas.  Bem como, liberdade de comportamento é limitada pela capacidade de assimilar as informações que formam o pensamento e influenciam as ações. Assim, as informações são a base para a construção do conhecimento e, gradativamente, da sabedoria. Portanto, a centralidade da escola, como instituição educacional e não apenas de ensino, depende da capacidade de superar o paradoxo do excesso de informações comercializadas, ampliando deliberadamente os espaços para contemplação, reflexão e convivência humana.

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