Smartphone na sala de aula: Podemos fazer uso pedagógico da tecnologia?

Postado por: Amilton Rodrigo de Quadros Martins

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A Assembleia Legislativa de São Paulo, aprovou recentemente o projeto de lei 860/2016, que altera a lei 12.730/2007, que proibia o uso de celulares em escolas estaduais. A proposta foi encaminhada pelo governador Geraldo Alckmin em 2016, após pedido feito pelo secretário da Educação, José Renato Nalini. Com as mudanças, crianças e jovens dos ensinos Fundamental e Médio, poderão utilizar aparelhos em sala de aula em atividades pedagógicas e orientadas por educadores, conforme cita o Secretário Nalini: “O ensino prelecional está sendo questionado em todos os ambientes. Se quisermos manter o aluno interessado em aprender, temos de usar a linguagem dele. A linguagem de seu tempo”.

Enquanto os países desenvolvidos fazem pesquisas de ponta com grandes centros e universidades nas áreas da educação, psicologia e computação, buscando definir metodologias especializadas de uso de tablets e smartphones como ferramenta de apoio à educação, no Brasil, temos andado na contramão, conforme:

·                     Lei Estadual Nº 5222/2008 - Dispõe Sobre A Proibição Do Uso De Telefone Celular e Outros Aparelhos Nas Escolas Estaduais do RJ.

·                     Lei Estadual 12730/07 do Estado de SP.

·                     Lei Nº 14.146/2008 - Proibição do uso de equipamentos de comunicação no estado do CE, durante o horário das aulas.

·                     Lei MG N° 14.486/2002 - Proíbe o uso de telefone celular em salas de aula.

·                     Lei Nº 12.884/2008 - Proíbe a utilização de aparelhos de telefonia celular nos estabelecimentos de ensino do Estado do RS.

·                     Lei nº 3198/2007 - Proibição do uso de telefone celular nos estabelecimentos de ensino da rede pública e particular do estado do AM.

Em vários outros Estados e Municípios Brasileiros tramitam projetos de Leis sobre a proibição do uso de celulares em sala de aula, sendo que no Congresso Nacional também tramita um PL do Deputado Federal Marcio Macêdo do PT, PL 2806/2011, que proíbe o uso de celulares em sala de aula em todo o Brasil.

Esses movimentos de limitação de acesso à informação, materializam claramente o que Manuel Castells define como características da Sociedade Industrial: centralização e escassez. Para ele, a Sociedade Industrial trabalhava para gerar ignorância e alienação à população em geral, centralizando poder e conhecimento em poucos, oferecendo aos demais a escassez de acesso a bens culturais, limitando ao máximo a emancipação intelectual.

Para Castells, em contraponto à Sociedade Industrial, estamos vivendo a Sociedade em Rede, que se caracteriza pela conexão de pessoas e ideias pelas redes digitais, acabando com o sentido das distâncias físicas, gerando descentralização e abundância de informação, que por vezes é qualificada e por vezes não. Mas como separar o joio do trigo no caso de conteúdos e ferramentas disponíveis na rede ?

Nesse ponto entra a escola e os educadores, como agentes curadores de conteúdo, qualificando as fontes de informação, apontando caminhos ricos e intencionalmente pedagógicos, facilitando o processo de aprendizagem de cada estudante, com ou sem a tecnologia digital. Mas como fazer isso com 30 estudantes conectados ao mesmo tempo ?

Como todo processo ou tecnologia nova, precisamos ainda aprender a fazer o melhor uso, fazer pesquisas científicas e experimentar práticas em laboratório, precisamos descobrir como funciona, ver seu limites e potencialidades. Nessa linha, tudo que não precisamos é proibição, pois o acesso à informação e sua transformação em conhecimento, agora é questão de sobrevivência em uma sociedade massivamente conectada e competitiva.

Líder InovaEdu IMED – Laboratório de Ciência e Inovação para a Educação

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