William III

Postado por: Neuro Zambam

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As diferentes formas de classificação de pessoas evidenciadas nas manifestações de racismo e outras formas de exclusão clamam por uma reflexão mais abrangentes e o reconhecimento da impotência de muitas ações, governamentais ou não, associadas às novas formas de alienação social, econômica, política e cultural.

O final do ano, rotineiramente conclamado como o período das grandes mudanças e dos fatos mais interessantes da vida de um cidadão, especialmente os que podem projetar o seu nome e dar-lhe visibilidade através do seu poder de influência, associado às doações e mensagens motivacionais que escondem outras frustrações, deveria ser aproveitado como um tempo de observar o constrangimento do país e do seu povo.

A incapacidade de gerar líderes com expressão política capazes de aglutinar multidões em torno de seu carisma e das suas propostas e a atrofia sem precedentes dos símbolos do descontentamento, - leia-se a ausência do som das panelas e das bandeiras -, revela o “esconderijo” da vontade inerente do ser humano.

Então, qual o local onde ela se manifesta e toma fôlego?

Certamente, um deles é na busca da culpa de todas as atrofias no comportamento de uma pessoa, de um grupo ou de uma instituição. O caso William é emblemático se for possível de ser visto por meio deste viés. Como as imagens bíblicas, pouco recordadas, lidas e compreendidas, carrega sobre si a culpa dos demais e paga o preço mais alto por causa da sua fama. Nas entrelinhas da conduta social e institucional se escondem outras formas de racismo e classificação de pessoas, grupos e culturas.

A alienação representa a forma funesta de iludir e deixar o outro numa situação de objeto ou coisa mesmo contando com sua presença física, seu trabalho e sua pronta disponibilidade.

Quando a pessoa não se reconhece no fruto do seu trabalho, algo demasiadamente está errado no ambiente social, comunitário e familiar. De outra parte, usando um palavreado da moda, quando os líderes não nos representam é porque neles – nas suas expressões, nos seus pronunciamentos e nas suas votações - não sentimos pulsar nossa alma de cidadãos. Logo, somos classificados como atuantes em segundo plano. Somos úteis quando algo em nós lhes interessa.

As estatísticas que estão sendo divulgadas por meus dos Meios de Comunicação Social, relatadas por diversos institutos públicos e privados, sobre participação, níveis de desigualdade, comparação entre estados, nível salarial, relações entre homens e mulheres – especificamente no pagamento dos salários, entre outros aspectos são de interesse de todos.

As festas de final de ano e o excesso de eventos, enfeites e promoções “colaterais” impedem que a maioria da população se interesse por estes temas. Dessa forma outros Willians se somam e carregam nosso fardos.

Para entendermos melhor esse clima complexo e desconfortável que integram imaginário do final do ano, especialmente o Natal Cristão, sugiro a leitura dos blogs desta semana dos professores Israel Kujawa e Ernani Almeida. As desigualdades nos alienam e o excesso nos escraviza.

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