Um ano, Chape. E a dor não passou!

Postado por: Dilerman Zanchet

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Em 03 de dezembro do ano passado, portanto há um ano exatamente, o mundo sofreu o acidente aéreo da Chapecoense, como se todas as vítimas fossem filhos, pais, parentes de cada um.

Houve uma comoção internacional e até hoje as homenagens e os pensamentos se voltam, quando de trata de assunto do gênero, às imagens daquele dia.

O dia 03 de dezembro de 2016 amanheceu chuvoso. Eu e o Cristian havíamos sido incumbidos de fazer a cobertura e fotos da chegada dos corpos e do velório coletivo na Arena Condá.

Confesso que, em minha carreira profissional, nunca havia sentido tanta comoção.

Não lembro, por estas andanças, de ter me emocionado tanto.

Naquela tarde de sexta, que antecedeu ao velório, o estádio lotou de pessoas para rezar.

E as lágrimas rolavam a todo o instante.

Foram dias em que as pessoas choravam e se abraçavam sem se conhecer. Foram tempos em que jornalistas, radialistas, artistas, todos choravam, em todo o mundo, a dor da perda. 

Tempos tristes.

Um ano depois, neste 03 de dezembro, reedito aqui o artigo que escrevi no quarto do hotel, enquanto aguardávamos os aviões da FAB que levariam os corpos. A dor ainda não passou.

Nestas palavras que repito, o mais profundo respeito e sentimento às famílias das vítimas e ao povo chapecoense.

“Dor. emoção. Lágrimas que não param de rolar. 

A dor da perda. A dor da esposa, agora viúva, que não mais vai ver o marido, o pai de seu filho.

A dor da mãe que perdeu o filho, ídolo da torcida.

A dor do pai, que no caminho entre Porto Alegre e Chapecó, na terça-feira, viajando sozinho, parou o carro por três vezes para urrar, berrar, gritar o nome do filho morto.

A dor das esposas, dos filhos, dos amigos dos jornalistas e radialistas, que não mais ouvirão o grito de gol saindo de suas gargantas.

É este o clima na Arena Condá.

É assim que passou mais uma tarde de angústia, de sentimento inexplicável.

Explicar tudo isso já é inexplicável.

Como fazer para entender aquela mãe (do goleiro Danilo), que adentra sozinha no gramado, vestindo uma camisa rosa com o escudo da Associação Chapecoense de Futebol, e vai até a goleira. Ali se ajoelha, reza em silêncio.

Serena.
Em seguida, fica em pé, ergue os braços aos céus, seca uma lágrima e caminha ao anonimato, passando por jornalistas do mundo inteiro que estão no gramado da Arena Condá. 

Seu filho, Danilo, foi milagroso no jogo em que classificou a equipe para disputar a final da Sul Americana. 

Os outros 18 atletas, dentre os quais 17 mortos, estarão chegando logo mais ao estádio. Não vestindo calção, chuteira, meias e a camisa verde e branca da Chape. Estarão vestidos de várias maneiras, dentro de um caixão.

Disse o pai de Felipe, zagueiro vítima do acidente: Não foi acidente. Foi assassinato. O Brasil e o mundo não poderão permitir que isso passe impune.

E que todos os mortos nesse massacre aéreo mandem, dos Céus, luzes para que nenhum comandante irresponsável tente economizar uns trocos e faça, como deve ser, os procedimentos antes de um voo.

O mundo está de luto. 

O Brasil está de luto. 

O esporte está de luto. 

Que sirva, ao menos, para que daqui há alguns dias, quando a comoção diminuir, fazer com que haja mais respeito entre os seres humanos.

Independente de cores e, se for o caso, de partidos.

Que sirva o exemplo de Medellin e de Chapecó, ao irmanar-se na dor sofrida, para que o homem seja mais homem”.

 

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