Precisamos falar sobre racismo

Postado por: Juliano Roso

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No final de novembro, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), uma das maiores instituições de ensino superior do Rio Grande do Sul, foi palco de um covarde ato de racismo. As frases com conteúdo racista foram escritas nas paredes do diretório acadêmico de Ciências Sociais. O ataque rasteiro e inexplicável aos estudantes negros da universidade sinaliza que ainda temos muito por fazer para curar as chagas deixadas pela escravidão. Foi o terceiro ato semelhante registrado em 2017. A indignação causada na cidade levantou um debate que é adiado por todos nós brasileiros: a urgência da luta ao racismo.

Nas ruas, o negro ainda tem menos oportunidade e sofre com o preconceito. Hoje não temos mais os instrumentos perversos usados no período da escravidão. Agora, a dominação se dá de maneira sutil e o racismo está institucionalizado. O Estado trata de maneira diferente o cidadão de acordo com a cor de sua pele. O levantamento do Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de junho, diz que de cada 100 pessoas assassinadas no país 71 são negras.

Apesar dos números, grupos ironicamente liderados por gente branca dizem que “não há racismo no Brasil. Mas sim, vitimização”. Mesmo sendo a maioria da população brasileira, com cerca de 53% do total, os negros não ocupam o mesmo espaço representativo na sociedade. Segundo estudo do IBGE, de 2015, apenas 12,8% dos negros de 18 a 24 anos chegaram ao nível superior. Enquanto que na população branca, esse índice salta para 26,5%. Já no Censo de 2010, dos 14 milhões de brasileiros com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever, 70% são negros ou pardos.

E o que estamos fazendo? Até quando vamos ignorar o racismo enraizado em nossa cultura, que massacra parcela da população e envergonha toda sociedade brasileira?  Precisamos estar vigilantes a casos como o da UFSM e nos esforçar para que eles não se repitam. Lutar contra o preconceito é dever de todo cidadão. Ao nos mobilizarmos contra uma ferida que envergonha a nação estaremos dando um passo fundamental para sermos reconhecidos verdadeiramente como uma sociedade.

 

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