Aprendizagem ativa: Como engajar estudantes em um mundo conectado?

Postado por: Amilton Rodrigo de Quadros Martins

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No episódio de hoje, a Professora Verônica Bressan, apresenta sobre o consórcio STHEM Brasil e sua missão de levar aprendizagem ativa para o ensino superior brasileiro, além de apresentar o I Fórum de Inovação Acadêmica que discutiu a implementação de metodologias ativas no ensino superior.

Os alunos estão mais difíceis. Não querem mais saber de estudar. Não tem foco, só querem navegar nas redes sociais ... essa nova geração não tem jeito. Esse discurso é mais frequente do que gostaríamos, mas, o que realmente mudou nos novos alunos? Foram as pessoas ou a sociedade em que estamos inseridos? Os estudantes que chegam em nossas salas de aula, em cursos de graduação, nasceram inseridos em uma sociedade tecnológica, ágil, conectada, com mais oportunidades. Eles sabem que podem conquistar o mundo e tem acesso a conhecimento e informações em todo o tempo e espaço.

De forma geral, nossa sala de aula não tem acompanhado essas mudanças na sociedade. Muitas vezes esperamos que este estudante tenha a mesma postura que tínhamos quando a informação era muito mais escassa. Na contramão desse desenvolvimento, algumas leis e iniciativas tentam barrar o uso de tecnologia em sala de aula, por exemplo, proibindo o uso do celular, como já foi exposto nesta coluna.

Mas, é possível reverter essa situação? De que forma as instituições de ensino superior podem atender às expectativas e demandas dessa geração, sem perder o foco na qualidade da formação dos futuros profissionais? É possível adequar os processos de ensino-aprendizagem à sociedade em que estamos inseridos?

Um primeiro passo pode estar relacionado a deixar de lado a postura de que “essa nova geração não quer nada” e passar a buscar compreendê-los para encontrar formas de atendê-los. Essa mudança passa pela administração das instituições de ensino, que tem uma função de propor currículos adequados às demandas da sociedade e garantir condições físicas e tecnológicas adequadas para a oferta dos cursos. Passa também pelo professor que precisa rever práticas e métodos já consolidados.

Pensar formas inovadoras de aulas que considerem os conhecimentos prévios dos estudantes e os estimulem a ser criativos, questionadores, resolutivos, requer tempo. É necessário se adaptar a cada nova turma, compreender demandas e características pontuais. O uso de estratégias ativas de aprendizagem, aliada ao suporte de tecnologia, permite compreender e atender o estudante e sua turma de forma mais individualizada. Permite formar profissionais com as competências do século XXI, demandadas pelo mercado e pela sociedade. Tais metodologias propõem que o estudante seja o centro do processo de formação.

Neste sentido, buscando formas de atender a essas demandas, um grupo de 47 Instituições de Ensino Superior localizadas em todas as regiões do Brasil se reúne por meio do Consórcio STHEM Brasil, uma rede que nasceu em 2013 com o objetivo de investir na formação de professores, fortalecer o engajamento e melhorar o aprendizado dos estudantes, através do uso de metodologias ativas de educação. O STHEM tem a missão de promover a inovação acadêmica por meio de uma rede de cooperação, buscando formas de lidar com os desafios da sociedade e as mudanças da educação.

Anualmente, professores e gestores das IES vinculadas ao consórcio passam por um processo de formação, que inclui atividades presenciais e a distância. O sucesso do STHEM passa pela parceria com LASPAU, uma associação afiliada à Universidade de Harvard. Com a parceria, é possível manter contato com universidades como MIT, Harvard, Olin College, Universidade de Montreal e outras instituições relevantes no cenário mundial.

A partir da participação no consórcio, as IES devem propor ações internas, com o objetivo de qualificar seu corpo docente. Na IMED, instituição que integra o STHEM, em 2017, foram oferecidas 185 horas de formação para os professores, distribuídas em oficinas sobre temas como problem based learning (PBL), project based learning (PjBL), gamificação, aprendizagem baseada em jogos, team based learning (TBL), writing across the curriculum (WAC), uso de tecnologia em sala de aula e diversos outros temas.

 

A formação docente foi fechada com o I Fórum de Inovação Acadêmica, momento em que os professores puderam socializar as ações e estratégias que estão sendo realizados em sala de aula, além de apresentar os projetos interdisciplinares com impacto para toda a sociedade, da graduação ao mestrado. O fórum também contou com a presença dos professores Damione Damito e Rodrigo Calhau, integrantes do podcast Papo de Professor, que compartilharam a experiência do que conheceram sobre o Sistema Educacional Finlandês – considerado referência em todos os níveis de ensino.

Toda a formação em aprendizagem ativa e tecnologias inovadoras da IMED, busca atender a demanda da nova geração de aprendizes, que busca acesso móvel ao conhecimento, procura relevância em tudo que aprende e experimenta e acima de tudo, quer colaborar, cocriar e aprender a resolver problemas do mundo real.

Amilton Rodrigo de Quadros Martins - Líder InovaEdu IMED – Laboratório de Ciência e Inovação para a Educação

 

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