Nosso comportamento é resultado daquilo que ingerimos, pensamos e praticamos

Postado por: Israel Kujawa

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A objetividade científica na descrição e na projeção do comportamento humano é alvo de disputas entre paradigmas. Uma referência dominante, no século XX, foi Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), que marcou profundamente a psicologia e continua sendo estudado e discutido. Um conhecimento aprofundado da sua obra, além da suas contribuições para a construção da psicologia, é, também, fundamental para evitar (ou remediar) um conjunto de mal-entendidos a respeito do assunto, no qual se incluem a ingestão excessiva de alimentos com qualidades nutricionais questionável e o consumo de informações com alto valor comercial e baixas qualidades humanas e sociais.

A constituição do conjunto das ciências modernas passa pelo estabelecimento do objeto de investigação, se afastando da metafísica e incluindo o propósito de fazer uma descrição objetiva do dado empírico. O estudo do comportamento, como um campo da psicologia foi constituído tal qual um ramo experimental, nos moldes das ciências da natureza, sob influência de leis que, supostamente, independem da ação humana, cuja existência não é afetada pelo sujeito da experiência. O princípio de explicação dessa realidade deveria ser baseado no modelo científico moderno predominante, que descreve os eventos do mundo, a partir da ação causal de forças diversas, no tempo e no espaço, sobre a matéria.

Nesse contexto, a ciência do comportamento aspira ao conhecimento das leis que possibilitem a previsão e o controle das ações, inspirada nas ciências naturais, condicionada pelo afastamento de concepções metafísicas, pressupostas na elaboração de muitos dos conceitos científicos.  Esse objetivo passa pela construção de um entendimento apoiado em observações empíricas, livre da influência do sujeito que investiga e dos interesses envolvidos na mesma. Contudo, no final do século XIX e início do século XX esse método, apoiado em uma realidade externa e independente do sujeito que conhece, identificado como modelo mecanicista da física newtoniana, passa por questionamentos.

Esses questionamentos problematizam a descrição objetiva do real, propondo um distanciamento da noção mecânica, de causa e efeito, que apresenta leis gerais para a descrição e previsão da ação humana. Nesse modo de entender, alternativo ao paradigma mecanicista, independentemente de disputas políticas e científicas, tudo o que sentimos, percebemos, fazemos e somos capazes de dizer, sobre qualquer aspecto de nós e do mundo, é influenciado por sensações, com histórico simbólico, representado por linguagens e pensamentos metafísicos. Além disso, antes, depois ou ao mesmo tempo, somos resultados das assimilações singulares do que ouvimos, falamos, pensamos, ingerimos e praticamos.

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