Inovação acadêmica – essa é a hora!

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No episódio de hoje, nossa convidada é a Professora Daiane Folle, que descreve sobre a visão do MEC em relação à Inovação Acadêmica, que visa aproximar ainda mais as Instituições de Ensino Superior do processo de inovação e geração de riqueza do nosso país. Confira o texto na íntegra:

No Brasil, somos hoje 2132 Instituições de Ensino Superior, das quais 82% são Faculdades, 9% são Centros Universitários, Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e Centros Federais de Educação Tecnológica, e por fim 9% são Universidades. Independente do seu status acadêmico, nosso país precisa olhar com mais atenção para o atual modelo educacional, porque mais grave do que estar ultrapassado ou defasado, é a preocupação com os profissionais que estão sendo formados por essas instituições.

Diversas etapas da educação superior precisam ser repensadas dentro das instituições de ensino à luz do novo decreto que está por ser publicado pelo Ministério da Educação nos próximos dias. Esse repensar deve estar direcionado para o processo avaliativo (atenção, eu não escrevi prova ou teste), disrupção dos espaços físicos, cultura escolar, papel do professor como facilitador, a autonomia do aluno, o uso das tecnologias e a inovação na gestão, sempre garantindo ao aluno o seu protagonismo no processo de aprendizagem.

É óbvio que não é um decreto por si só que irá garantir a revolução do nosso atual modelo de ensino, mas quando pensamos que o modelo inspirador deve partir das nossas lideranças, isso faz todo o sentido. As instituições precisam estar preparadas para pensar diferente. Os avaliadores de curso superior precisam passar por um processo de reciclagem para que o olhar do MEC, representado por essas pessoas, seja um olhar pronto para receber novidades, pronto para quebrar paradigmas e pronto para reconhecer que é possível inovar no ensino superior, independentemente do porte da IES e da sua localização geográfica.

No início do ano 2000 foi publicado um parecer do Conselho Nacional de Educação que informa “Os critérios utilizados pelas diferentes Comissões de Especialistas para autorização e reconhecimento de cursos são extremamente heterogêneos, .... a CES julga que deve haver alguma uniformidade e concordância em termos das exigências básicas comuns às diferentes comissões. Além do mais, a análise dos processos, que é feita pela CES, tem revelado um excesso de rigor por parte de certas comissões, que não encontra amparo legal nem é necessária para assegurar a qualidade desejável para os cursos de uma determinada área.” Frente a esse parecer, a portaria nº 990 de 03 de abril de 2002 traz a regulamentação do ensino superior por meio de um processo de avaliação tendo por base a proposta de criação de um instrumento regulador com métricas e dimensões a serem avaliadas.

No entanto, essa evolução no processo de avaliação dos últimos anos passou pela criação de 8 instrumentos em 2010, com olhar diferenciado para cada área, migrando para a integração desses documentos em 2012 e até o momento a existência de um único instrumento para avaliação de todos os cursos, realmente um grande avanço. Mas a grande expectativa é pelo que está por vir, a versão 3.0 desse processo, digamos assim.

Nesta semana (11 e 12/12) estive em Brasília representando a IMED e como vice-presidente do Consórcio STHEM Brasil. Passamos pela CAPES, INEP e SERESnuma perspectiva de apresentar o consórcio e buscar espaço de diálogo junto a esses órgãos para compartilhar experiências exitosas de inovação acadêmica das 47 instituições de ensino superior que compõe o grupo. Fomos surpreendidos positivamente por lideranças que querem deixar sua marca no ensino superior brasileiro, acreditando na inovação acadêmica e nos convidando para sermos protagonistas juntos da construção dessa história.

Fomos provocados para contribuir na elaboração de critérios e métricas que configurem o que é uma IES ou um curso inovador. Ainda, nos foi apontado um caminho para que os processos de acreditação e certificações como ISO, EFMD, entre outros, possam ser métricas que configurem a qualidade e avaliação dos cursos superiores. Precisamos melhorar muito, precisamos inovar mais ainda, mas sempre com foco no nosso aprendiz e no nosso educador. Se queremos também engajar o corpo docente para o uso de ferramentas e metodologias inovadoras de ensino e aprendizagem, precisamos primeiramente instrumentalizá-los e criar acima de tudo uma relação positiva, propositiva e de engajamento, que faça sentido para todos os atores do processo.

Devemos olhar o processo de inovação acadêmica fundamentalmente na perspectiva do desenvolvimento das principais competências, habilidades e atitudes que irão diferenciar os nossos estudantes no mercado de trabalho cada vez mais competitivo. A realidade dos últimos 15 anos mudou muito, pois hoje não basta mais ter ensino superior e pós graduacação para ser um profissional diferenciado no mercado de trabalho, uma vez que com a ampliação da oferta de cursos por meio do ensino presencial e a distância, milhares de pessoas são lançadas ao mercado de trabalho a cada semestre.

Algumas instituições de ensino se deram conta e estão diminuindo a distância entre o mercado de trabalho e a sala de aula. Essa atitude parece óbvia, mas por muito tempo houve um descrédito na entrega de soluções da academia para os setores produtivos, por haver um delay muito grande de tempo entre a entrega de uma solução e a necessidade real da indústria. Cada vez mais, as IES estão buscando a inovação para que a sala de aula passe a ser um laboratório de resolução de problemas reais e complexos, e que irão desenvolver as habilidades necessárias para esses futuros profissionais.

Mais do que conhecimento teórico, as empresas procuram competências nos profissionais que se candidatam à posições em seus times. Responsabilidade, pró atividade, liderança e capacidade de tomada de decisão são habilidades, competências e atitudes que não eram trabalhadas em sala de aula. Estamos vivendo assim, uma nova era de descobertas e possibilidades de fazer melhor e de forma diferente.

E você, educador, gestor e estudante, está preparado para ajudar a mudar a história do nosso ensino superior? O que você está fazendo de diferente hoje em relação ao que fazia pouco tempo atrás?

 

Professor Amilton Rodrigo de Quadros Martins - Líder InovaEdu IMED – Laboratório de Ciência e Inovação para a Educação

 

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