Que venha o Grêmio, como ele é

Postado por: Neuro Zambam

Compartilhe

Diversas vezes refleti neste espaço sobre o fanatismo político, religioso e econômico, pois são os tipos que mais prejudicam a convivência humana e o equilíbrio das relações sociais. Uma pessoa movida por concepções e sentimentos com a marca do fanatismo, independente de qual lado se posiciona, torna-se insuportável. A verdade sempre está com ela.

A verdade, para aproveitar uma ligação pontual, nunca é definitiva. Em qualquer situação, mesmo aquela afirmada por meio de dogmas, precisa ser questionada, esclarecida, compreendida e afirmada de maneira permanente, entre os diversos motivos. Por que as gerações sucedem-se e a realidade muda.

A cada contexto é necessária uma compreensão esclarecida e atualizada, e isso supõe inúmeros recursos que surgem inesperadamente a cada nova provocação.

O fanatismo político, usual em determinados períodos históricos como o nosso e na metade do século passado, elege uma ideologia ou forma de pensar como a única vertente onde a estrutura da sociedade se espelha, ou a partir da qual pode ser bem organizada e a justiça pode florescer. Ao longo da história tais referências fracassaram em curto espaço de tempo.

O fanatismo religioso, por vezes o mais evidenciado, apela para as verdades reveladas e a igrejas que as representam, como únicas referências capazes de garantir ou construir o sentido da vida das pessoas e das culturas. Nesse sentido, a adaptação das culturas à religião proposta é uma necessidade. As religiões que passaram pelo debate público e reflexivo têm melhores condições de atuar em meio às culturas diferentes sem destruí-las ou adaptá-las. Penso que Paulo de Tarso, ou São Paulo, é um exemplo a ser imitado por todas as religiões, inclusive as Igrejas Cristãs rotineiramente tentadas por práticas de fanatismo.

O fanatismo econômico - este o mais sorrateiro esperto e enganador pela sua astúcia e suas estratégias de atuação - reduz os seus aliados e seus opositores à condição de objeto e, com extensa facilidade, separa os bons dos maus, os crentes dos descrentes, os trabalhadores dos vagabundos, os empreendedores dos desatualizados, os vencedores dos incompetentes e assim com as demais categorias.

Agora, que venha o Grêmio, não para ser massacrado, mas para poder competir e ensinar. Para ensinar e aprender. Pra continuar ganhando títulos e ver os outros também ganharem.

Um futebol sem fanatismo deve ensinar a todos que a tolerância é melhor que o rancor e a burrice.

 

Leia Também Pantalona favorece todo tipo de corpo O culto à ignorância Conheça os 21 bloqueadores da criatividade e fuja deles – Episódio I Unindo gerações para construir o amanhã