A colonização da subjetividade

Postado por: Israel Kujawa

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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento e não mais lutando por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá, enfim, evoluir a um novo nível.”

Nascemos indivíduos, mas a condição de pessoa é uma dimensão existencial a ser alcançada. E, a passagem entre estes dois estados pode ser identifica com o exercício de cuidar, conhecer e dispor de si próprio, nas relações como os outros. Uma obra que auxilia na ilustração deste tema foi apresentada por Ayn Rand, publicada em 1943 e traduzida para o português com o título de A Nascente.  Essa produção trata dos conflitos entre os criadores e aqueles que, por ter sua subjetividade colonizada, vivem apenas repetindo, imitando e absorvendo mecanicamente.

Em um dos vídeos disponíveis na internet, cujo valor didático pode ser testado, Leandro Karnal, tematiza a respeito das relações entre as redes sociais e a subjetividade o poder do eu. Nesse contexto, entre outros conceitos abordados, está salientado os malefícios dos exageros decorrentes dos excesso de comunicações informativas. Bem como, afirma-se que essa quantidade excessiva de informações e de atividades impede o exercício da reflexão, tornando a pessoa ignorante de si e da sua condição existencial. A pressão social, profissional e financeira força para que os indivíduos se adaptem aos modelos estabelecidos.

Toda relação que priva o ser humano de sua disposição de si e da capacidade de administrar a própria vida, pode ser caracterizada como "colonização da sua subjetividade". Os exercícios reflexivos sobre o próprio comportamento sinalizam a identificação de uma pluralidade de indivíduos, entre os quais estão os tradicionalistas ou conservadores, os visionários que almejam um estilo próprio e os conformados.  Os conservadores dificultam ou impedem o exercício da criatividade e as inovações propostas pelas identidades visionárias e futuristas. Os conformados são incapazes de exercitar a subjetividade, aceitado passivamente as regras e os valores definidos, sem a própria participação.

Descolonizar a própria subjetividade é aceitar as responsabilidades e as consequências do pensamento independente, observando os fatos, sem estar submisso à opinião pública e a aprovação ou reconhecimento social. A evolução epistemológica e a transição da humanidade para um estágio de maior harmonia e paz social deve ser posto em nosso horizonte. Para isso, entre outros fatores, se faz necessário, uma atenção adequada e consciente para subjetividade ou o ego freudiano, que demarca o espaço singular entre a herança genética, social e psicológica, denominada de id e a consciências das influências atuais do mundo exterior.

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