Capacitação parental e a segurança pública

Postado por: Israel Kujawa

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 A capacitação parental é um campo de intervenção investigativa que merece atenção de todos e, especialmente, de quem reconhece a importância de aplicar energia conceitual e material na educação, avaliando as posturas e as práticas educativas, desenvolvidas com crianças e adolescentes. A bases epistemológicas que estabeleceram fronteiras e continuam impedindo o diálogo entre o conhecimento científico e senso comum, devem ser revistas e ressignificadas. As barreias apoiadas nas especialidade demarcadas por áreas do conhecimento, como história, sociologia, filosofia, psicologia, pedagogia, economia e assistência social, dificultam o diálogo com as problemáticas decorrentes dos desafios contemporâneos de promover comportamentos pró-sociais em crianças e adolescentes.

A relação entre as crianças e seus cuidadores contribui decisivamente na construção de habilidades que influenciarão no comportamento social. O estilo e o comportamento parental inclui o conjunto dos procedimentos educativos utilizados pelos cuidadores com o objetivo de socializar e restringir comportamentos antissociais. Nesses procedimentos estão incluídas práticas que podem dificultar a socialização, como por exemplo, a negligencia, a indisciplina e a punição inadequada. Por outro lado, atitudes que envolvem o bom uso do afeto e a supervisão das atividades, objetivando o desenvolvimento de virtudes, tais como, o senso de justiça, generosidade, amorosidade e responsabilidade auxiliam na constituição de comportamentos pró-sociais.

Avaliar os comportamentos nas práticas parentais deve ser um dos focos de programas que visam o adequado desenvolvimento social e emocional de crianças e adolescentes. O objetivo de qualificar as práticas parentais atende uma elevada demanda contemporânea do senso comum, que manifesta insegurança e desorientação em relação ao tema. A evolução da legislação protetiva da criança, sintetizada no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) se confronta com um entendimento controverso em uma parcela significativa população. A evolução institucional com a constituição de conselhos tutelares com a disponibilização de referências sociais, para auxiliar na socioeducação, deve ser entendida com um aliado para qualificar a prática parental.

As crianças não nascem capazes de viver em sociedade, elas constroem esta habilidades a partir dos primeiros anos de vida, sob a influência das pessoas e do cotidiano de vida. As pesquisas sobre os efeitos de práticas de socialização sinalizam que as crianças dependem de seus cuidadores em relação a aspectos físicos e psicológicos. As associações entre comportamentos de cuidados parentais indicam que práticas orientadas por referências positivas, sensíveis, responsáveis, comprometidas, proativas e estruturadoras, resultam na constituição de adultos justos, seguros e responsáveis. Inversamente, práticas parentais caracterizadas como negligentes, reativas e desajustadas, resultam em novos adultos, gerados e geradores de injustiça e de insegurança, que perpetuam ao ciclo vicioso da violência.

 

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