Pesquisa revela que ficamos mais inteligentes escrevendo à mão

Postado por: Amilton Rodrigo de Quadros Martins

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Em tempos de conexão, Sociedade em Rede e informação abundante, com campanhas frequentes para o aumento do uso de smartphones e tablets na escola, um estudo da Princeton University e da University of California, Los Angeles, chamado The Pen Is Mightier Than the Keyboard (http://pss.sagepub.com/content/25/6/1159) revelou algo no mínimo surpreendente: alunos que escrevem a mão tem mais chance de aprender o conteúdo, comparado com colegas que anotam no computador.

A pesquisa dividiu os estudantes em 2 grupos: um deles estudou durante um período anotando todo o conteúdo a mão, no velho e tradicional caderno, enquanto outro usou notebook para digitar o mesmo conteúdo. Após um tempo, os dois grupos foram submetidos à avaliações tradicionais, e surpreendentemente, o grupo do notebook ficou em grande desvantagem ao responder questões conceituais, comparados aos que anotaram o conteúdo à mão.

Algumas das explicações seriam que, apesar de conseguir anotar informações mais rápido quando se está no notebook, quem escreve à mão pode compreender melhor as palavras e conceitos do professor, e depois disso processado é descarregado no papel em suas próprias palavras, esquemas e uso de comunicação espacial, o que ajuda a colocar os pensamentos em ordem e exercita o cérebro e a memória.

Os pesquisadores descrevem que mesmo que tomar notas mais rápido pode ser melhor, a tendência dos usuários de laptop é para transcrever o conteúdo na íntegra, em vez de fazer uma processamento das informações, e posterior reformulação com suas próprias palavras, o que é prejudicial à aprendizagem.

Em 2016, a notícia que a Secretaria Nacional de Educação da Finlândia, nação que possui um dos sistemas educacionais mais bem-conceituados do mundo, iria abolir a alfabetização com cadernos e escrita à mão(http://veja.abril.com.br/educacao/na-finlandia-escolas-trocam-letra-de-mao-por-digitacao/), partindo para uso de tablets desde cedo, escandalizou e dividiu a população e educadores de todo o mundo: de um lado os conservadores temendo fazer uma atrocidade na alfabetização dos jovens, de outro os pesquisadores defendendo que essa é a linguagem atual e cartas são o passado.

Será que estamos prontos, ou um dia estaremos, para abolir a escrita a mão ? O que aconteceria com uma geração inteira que deixaria de aprender a escrever a mão ? Seria um avanço que nos levaria a um novo capítulo no processo de ensino-aprendizagem ou uma limitação o fato de precisar de dispositivos eletrônicos para se comunicar ?

Amilton Rodrigo de Quadros Martins – Professor e líder InovaEdu IMED – Laboratório 

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