Abençoado 2018

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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Conclui-se um ano e começa outro. É o ritmo permanente da vida. Viver bem cada dia e cada ano e, além disso, iniciar com disposição cada novo dia e cada novo ano é sabedoria. Objetivamente, muda pouca coisa no início de um ano novo, mas esta passagem é muito importante por aquilo que representa, pois é um rito de passagem. Permite uma revisão de vida e estimula a projeção do futuro.

É muito significativa a bênção solene do início de ano proposta pela liturgia católica. Ela fala de dimensões fundamentais da vida e nos indica um rumo de convivência fraterna e de relação com Deus. A primeira invocação reza: “Que Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda bênção, vos conceda a sua graça, derrame sobre vós as suas bênçãos e vos guarde sãos e salvos todos os dias deste ano”.

O primeiro desejo é a graça de Deus. “A graça é o favor, o socorro gratuito que Deus nos dá para responder ao seu convite: tornar-nos filhos de Deus, filhos adotivos, participantes da natureza divina, da Vida Eterna” (CIC - Catecismo da Igreja Católica, nº 1996). A graça permite participar da vida divina e ser olhado e tocado pelo amor de Deus.

A mesma invocação pede de Deus as suas bênçãos, a guarda e a saúde cotidiana. “A bênção é ação divina que dá vida e da qual o Pai é a fonte” (CIC – nº 1078). A bênção é o bem que vem de Deus, é uma atitude divina que guarda a vida. A vida saudável é bênção que deve despertar constante agradecimento e compromisso de um cultivo diário da saúde através da alimentação, hábitos, descanso. Ter saúde permite realizar as tarefas diárias, trabalhar, praticar a caridade e cuidar dos mais necessitados.

A segunda invocação pede: “Que ele vos conserve íntegros na fé, pacientes na esperança e perseverantes até o fim na caridade”. Pede-se virtudes, isto é, uma disposição habitual e firme de fazer o bem. Não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Ocupar-se daquilo que é bom e correto.

As virtudes teologais são a fé, a esperança e a caridade. Ter fé é crermos em Deus e em tudo que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe crer. Pela fé a pessoa se entrega livremente a Deus. A virtude da esperança corresponde ao desejo de felicidade que vem da construção de uma vida plena, de uma qualidade de vida e o desejo da vida eterna. A esperança não permite a acomodação e nem o uso de meios inadequados para resolver os problemas. E a virtude da caridade é a manifestação do amor a Deus e ao próximo. É a vivência dos mandamentos.

A terceira invocação pede a paz. “Que ele disponha em sua paz vossos atos e vossos dias, atenda sempre as vossas preces e vos conduza à vida eterna”. O mundo em que vivemos é marcado por guerras, violências, conflitos e agressões que geram morte, sofrimento, tristeza e insegurança. A paz é consequência da justiça e o sinal do amor realizado. É a convivência humana marcada pela solidariedade. Mahatma Ghandi disse: “Não há caminho para a paz. A paz é o caminho”. Na carta aos Efésios 2, 14 escreve São Paulo: “Cristo é a nossa paz”. Também pedimos que atenda sempre as nossas preces, sejam elas agradecimento, adoração, súplica, intercessão, ação de graças ou louvor. E como somos passageiros por este mundo, queremos que Ele nos conduza à vida eterna.

Desejo a todos que 2018 seja um ano muito abençoado.

 

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo

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