Quando decidir?

Postado por: Adalíbio Barth

Compartilhe

Provavelmente cada um de nós já teve oportunidade de fazer parte de uma equipe de trabalho, onde o coordenador ou o diretor tinha o poder de decisão, mas nunca decidia.

            O diretor de certa empresa sofria para decidir sobre algum assunto e ao mesmo tempo fazia a todos sofrer, porque demorava em decidir. Sentia-se inseguro, não queria correr riscos e deixava a todos nervosos. Eram momentos de tortura, pois, os sócios da empresa percebiam as saídas e as decisões certas e o responsável não dava o aval.

            A situação se tornou difícil, pois, havia necessidade de se optar por isso ou aquilo, por este ou aquele, e não se podia perder tempo dando asas à indecisão. Todos percebiam vivermos numa época onde o mundo, em tudo, se caracteriza pela rapidez. As pessoas não se distinguem somente pela capacidade de trabalho, mas entre as que são rápidas e as que são vagarosas. Mas o diretor discordava e todos tinham o dever de aceitar este marasmo.

            Este sujeito, eleito para coordenar um trabalho, não possuía o dom de decidir. Em todos os momentos em que havia necessidade de deliberar algo, sempre dizia: “dopo” (depois, em italiano). Qualquer decisão era adiada para depois. Tornou-se conhecido por toda parte com o apelido de “dopo”. Nada decidia de imediato ou com rapidez. Todos já sabiam que ele deixava tudo para depois. O máximo que se conseguia arrancar de suas decisões eram as expressões: mais tarde, depois, hoje não depois sim, amanhã, vamos a ver, agora não, quem sabe no futuro, veremos, vamos com calma, e assim por diante...

            Sua empresa, evidentemente, foi à falência, por razões óbvias. Ninguém mais queria trabalhar sob a sua chefia, pois não se conseguia resolver nada. Ficou só, sem amigos e sem clientes. Desgostoso da vida, não viveu por muito tempo.

            No epitáfio de seu túmulo foi escrito: Aqui jaz o Dopo.

            A pessoa humana tem capacidade de decidir. Mas deve ser educada desde criança para que decida com responsabilidade. É um exercício necessário, para se chegar à maturidade humana. Caso contrário permanecerá sempre uma pessoa dependente, criando um ambiente de insegurança geral.

 

 

Leia Também Graças à bateria estragada Doenças psicossomáticas Vêm aí momentos ainda mais difíceis para o funcionalismo do Estado Ministério da Saúde libera recursos para o Qualifar-SUS