Grupo vendia “falsa pílula do câncer” para lavar dinheiro do tráfico

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Foram confiscados cerca de 70 veículos em poder de uma organização criminosa suspeita de lavar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas, inclusive fabricando medicamento falso para tratamento do câncer. Entre os veículos, há carros de luxo de marcas como Corvette, BMW, Jaguar, Mercedes, Audi e Volvo, negociados em nome de suspeitos em duas revendas na região metropolitana. O pedido partiu da Promotoria de Justiça Especializada no Combate aos Crimes de Lavagem de Capitais e Organização Criminosa.

O Ministério Público obteve, ainda, a inclusão dos nomes dos investigados no cadastro nacional de imóveis, sistema que bloqueia automaticamente todos os bens desse tipo em nome dos investigados, além de fiança de R$ 50 mil para aqueles que obtiverem o direito de responder às acusações em liberdade.

A investigação, conduzida pela Polícia Civil, através do Denarc, chegou a um grupo formado por 16 pessoas, investigadas por lavar o dinheiro do tráfico através da aquisição de imóveis, veículos e empresas de fachada. Recentemente, o grupo se associou a dois médicos, também alvo da investigação. A dupla é proprietários de um laboratório que produzia e vendia cápsulas de fosfoetanolamina, substância conhecida como “pílula do câncer”. Durante a investigação, as cápsulas comercializadas pela organização criminosa foram testadas pela Universidade de Campinas (Unicamp) que revelou a ausência da substância ativa (fosfoetanolamina) em parte das pílulas, caracterizando a prática como crime hediondo. “Há sérias provas de que o grupo criminoso comercializava produto sem o princípio ativo prometido, pelo simples lucro, atingindo consumidores em prováveis condições de vulnerabilidade, prática por demais repugnante”, ressaltou o promotor de Justiça Marcelo Tubino.

Durante a semana, a Polícia Civil cumpriu 18 mandados de busca e apreensão e prendeu um dos suspeitos em flagrante, na manhã de ontem, por posse ilegal de arma de fogo. O delegado responsável ainda obteve na Justiça a retenção dos 16 passaportes dos investigados, já que a suspeita era de fuga do grupo. Parte dos integrantes é supostamente ligada a facções do Rio de Janeiro e a traficantes de outros países da América do Sul, e um dos investigados mantém residência em Miami, nos Estados Unidos.

As investigações também apontaram que o grupo atua no roubo de cargas e no mercado de pedras preciosas para lavar o dinheiro. Chama atenção do Ministério Público e da Policia Civil o volume de capitais dos investigados e a forma de atuação da organização criminosa, como o uso de um adolescente de 15 anos como laranja. O menor teve registrado em nome dele uma offshore para transações de imóveis. O Denarc também obteve judicialmente o sequestro de bens, com o bloqueio de ativos, bens e valores e das contas bancários do grupo.

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Fonte: Rádio Guaíba

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