A Dronização do Poder

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Um pensador de 77 anos, Boaventura de Sousa Santos, que nasceu e ainda trabalha em Coimbra, Portugal criou uma expressão denominada, dronização do poder, que pode auxiliar na explicação da atual funcionamento da sociedade.   Uma “maquina”, cujo operador não é identificado e nem ela mesa é visível, permite que se destrua o alvo, sem que o autor do comado prático ou o mentor teórico sejam identificados e ameaçados. O pensador português alerta para a incidência da desigualdade entre as forças em confronto, na qual quem tem mais poder deixou de ter medo, de represálias, de resistências e de ser atingido.

Nesta invisibilidade se inclui um ser abstrato, denominado de mercado, em uma de suas variáveis identificadas como especulação financeira, que tem o poder de destruir um país rapidamente, como aconteceu com a Grécia, a Tanzânia, o México, entre outros. Em outros casos, a manutenção poder é assegurando com estratégias a curto e médio prazo, por meio de alianças com quem se beneficia financeiramente, com a comercialização de informações. Além disso, a administração invisível do mercado, especialmente dos mais poderosos, nos quais se incluem o mercado da energia e do alimento, se apresenta como uma ferramenta para construir, acentuar ou desfazer crises materiais, financeiras e morais.

O conjunto dos casos de crises, especialmente as que afetam os conceitos de democracia e de verdade, são estrategicamente construídas, divulgadas e articuladas, com o interesse na manutenção de uma forma de poder. A democracia liderada por partidos políticos que disputavam o poder, a partir da legitimação do voto, foi substituída por especialistas em publicidade e propaganda. As estratégias comunicativas estabelecidas, por esses especialistas, em alianças com mercado, conduzem o debate social, obscurecendo e retirando das discussões a base e o histórico das fatos. Essas estratégias contribuem para legitimar personagens artificias e conceder espaços de poder para pessoas autoritárias, coniventes com práticas inaceitáveis como o machismo, a racismo e a tortura, sem compromisso com a verdade, com a democracia e com a preservação do interesse coletivo.

Os conceitos de democracia e de verdade, foram alçados na centro crise, ao ponto de ampliar os espaços para noções expressas em palavras como pós-democracia e pós-verdade, em decorrência de um jogo que se apoia e trabalha com as emoções e com as identidades. Nesse jogo, os fatos efetivos e reais não contam, o que conta são as informação comercializadas e as ideias que se lançam, muitas vezes falsas, mas com poder de despertar algum grau de comoção, através de mecanismos que não tem a ver com a veracidade científica ou política, mas com estratégias de persuasão. Desse modo, a morte de uma liderança política em ascenção ou de um juiz, da mais alta corte, que atuem tecnicamente e possam representar uma ameaça para o poder constituído, são retirados de cena por atores anônimos.

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