Falar alto, falar pouco e falar bem

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Há alguns anos, não muitos, tive a oportunidade de comparecer ao aniversário do então deputado federal, Beto Albuquerque. Um convite, aliás, que me deixou muito satisfeito, porque o aniversariante tem amigos e conhecidos muito mais importantes do que eu para convidar e valorizar, no entanto, se dignou a me incluir entre as muitas pessoas que lá estavam, eu que tenho tão poucos atributos se comparados aos dele.

For organizado um vídeo com depoimentos espetaculares de pessoas com trajetória fantástica e visões diferentes do mundo e da realidade. Estavam irmanados em torno de um acontecimento, mas especialmente, reunidos num palco sem classificação prévia. Lá, todos cabiam e tinham um lugar especial, não pela sua importância, títulos, cargos ou capacidade de influência. Não havia fila para o “beija mão” porque o aniversariante não precisava disso para ser destacado ou animar a sua fama. O pai e a mãe do homenageado, sábios e ao mesmo tempo de uma humildade exemplar, recebiam os convidados e, às vezes, mereciam mais atenção do que ele. Ambos não disputavam quem estava na primeira fila ou na cadeira mais vistosa (aliás que não existia).

Naquele singular evento guardei dois aprendizados marcantes que procuro, apesar das minhas inúmeras limitações, valorizar e viver. Gostaria de repartir com vocês.

O primeiro foi o pronunciamento de Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, que diz ter aprendido com seu avô as lições do título deste blog. Apesar de uma fala longa, naquele evento, foi recheada de conteúdo, idealismo e humildade. Pensei, como também aprendi em casa: como vale apena ouvir pessoas inteligentes. Essas não precisam falar demais, mas saber falar. Normalmente quem exagera na fala dela pouco se aproveita.

O segundo foi o depoimento gravado do então ainda atuante, embora já debilitado pelas condições de saúde, Alcides Guareschi. Esse sim, sempre falava pouco, falava bem e falava alto não pela tonalidade, mas com sua sabedoria e inteligência que calava até os sábios. O seu olhar comovia e abalava os arrogantes. Homem de rara sabedoria, o que hoje a muitos falta, especialmente os iludidos que a tem, falou da trajetória do aniversariante e reconheceu seu crescimento. Ambos com idades bastante diferentes, mas uma vida que a muitos ensina, ou, pelo menos, deveríamos humildemente reconhecer.

A trajetória humana é marcada por esses encontros de desencontros, alegrias e esperanças, planos e sonhos, falas ensurdecedoras e outras calmas e profundas. O silêncio e o discurso têm tonalidades diferentes, contudo podem ter o mesmo poder. Da mesma forma. a fala calma ou voraz.

Eduardo e Alcides, duas falas nada ensurdecedoras, mas profundamente convincentes.

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