A liberdade de expressão

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“Percebemos a importância de nossa voz quando somos silenciados”. (MALALA YOUSAFZAI)

 A história da censura aos livros, da repressão aos intelectuais é secular e universal. No Brasil, por exemplo, até os anos 1980, o intelectual ativo – aquele que escrevia e divulgava suas ideias “revolucionárias” – sempre foi tratado pelas instituições vigilantes como um “herege”, um “homem maldito”, um “bandido”, como assevera Maria  Luiza Tucci Carneiro, no livro  Minorias Silenciadas.

Por ultrapassar os limites do permitido, foi repreendido, julgado e punido. Artigos na mídia, os livros apreendidos como “armas do crime”  transformaram-se  em prova material  da  trama articulada contra o regime e que, segundo os homens do poder,  poderiam desiquilibrar  a ordem imposta.

Intelectuais revolucionários e censores sempre tiveram consciência da força da palavra. A ideia de uma revolução foi uma preocupação constante das autoridades oficiais que viam o intelectual e  o profissional da  imprensa  como cidadãos  perigosos e, se comunistas,  “desde  há  muito, tanto  mais temíveis”.

O mundo dos conservadores  e reacionários  sempre  temeu  os homens de vasta cultura, autores de livros, jornalistas e até tipógrafos.  Professores e estudantes de ciências humanas e ciências políticas (História, Filosofia, Sociologia, Antropologia), também eram vistos – e continuam sendo –, como seres que incomodavam e incomodam.

Críticas, opiniões divergentes eram vistas como “atentatórios à segurança nacional”. Até a posse de um livro era perigoso.  Regredimos, nos tempos da ditadura, ao medievalismo.  Livros foram queimados, intelectuais fichados e até torturados.  Vivemos tempos de barbárie, de violência, de segregação e de intolerância.

Estas foram as marcas  registradas do século  XX.

Com a abertura política (1979) e a Constituição (1988), passamos a respirar os ares da liberdade. O direito de opinião, de expressão, passaram a ser sagrados e garantidos, como manda o modelo democrático.

Alguns, entretanto, insistem em querer nos remeter de volta ao obscurantismo ditatorial.  Querem a censura de volta.  Devem sentir nostalgia dos tempos do autoritarismo.

Isto ficou plasmado na última semana, quando em função de um artigo que aqui publiquei (Identidade de  Gênero não é  “Ideologia do Mal”), muitos passaram a pedir minha saída do blog  da emissora, no melhor  modelo ditatorial e repressor.

A Diocese, em nota oficial de Dom Rodolfo Luís Weber, de forma culta, educativa e atenta deixou claro que “a rádio é um veículo de comunicação e, justamente por isso, preza pela  democracia, pelo diálogo e por  colocar em pauta  assuntos da  atualidade”.

Assevera ainda o arcebispo que: “A discussão e o diálogo fazem  parte  da sociedade. Alerta, no entanto, para os  comentários e  cobranças nas  redes sociais que, em sua grande maioria  têm a postura ofensiva, acusativa e julgadora”.

Portanto, o fundamentalismo foi devidamente desautorizado. A nota oficial da Diocese é didática e, sua leitura é indispensável a todos os que cultivam a liberdade de expressão, sem a qual a cultura torna-se mero  instrumento da  mediocridade, da ignorância e  da  violência.

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