Agenciamento e construção da subjetividade

Postado por: Israel Kujawa

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Quando se trata de análise da subjetivação, que em outras palavras tem a ver com o histórico da cada indivíduo, o método cartográfico se apresenta como um alternativa. Trata-se de um conjunto de diretrizes consolidadas por pensadores do final do século XX, como Foucault, Deleuze e Derrida, que se apresentam como suporte para análises críticas, estudos e pesquisas, sobre as singularidades individuais e a história do presente. Deleuze usa o termo cartografia, para tratar da relação entre o campo da geografia e da geopolítica dos discursos, dando mostras de uma dimensão espaço-temporal nas análises.  Outra referência importante de investigação, está na obra “Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia”, de Gilles Deleuze e Fellix Guattari.

A cartografia social faz representações de relações, enfrentamentos e cruzamentos entre forças, agenciamentos, jogos de verdade, enunciações, jogos de objetivação, produções e estetizações de si mesmo, práticas de resistência e liberdade. Nesse método de investigação, o pesquisador deixa de ser um sujeito que aplica um saber para conhecer a realidade e constrói conhecimento intervindo.  A produção das subjetividades ocorre no espaço territorial e social, em territórios específicos, estigmatizados pela noção de ausência, evidenciando produção serializada da individualização.

Nesse modo de compreender os indivíduos, o comportamento pode ser entendido como um efeito das forças que produzem sujeitos de maneira coletiva, em larga escala, incidindo em todos os níveis existenciais e dando sentido ao conceito de subjetividade serializada, industrializada e nivelada em grandes escalas. Outros comportamentos e entendimentos, podem ser desencadeados pela afirmação consciente da micropolítica, como forma de atuação no mundo, para a transformação social e a construção dos processos de escolhas, além de políticas padronizadas, engessadas e cristalizadas. Essa alternativa passa por uma identificação dos processos de singularização, afirmação da autonomia e das formas de diferenciação do ser, em que a singularização, os desvios, as rupturas e a criação podem emergir, a partir da convocação dos sujeitos, para serem construtores da própria realidade. 

Pensar sobre as subjetivações como resultado histórico, espacial e social, implica em uma cartografia da construção subjetiva. Nesse exercício, se incluí um entendimento de dois conceitos de sujeito: Um vinculado a uma natureza ou essência, definida a partir de determinantes universais, dados a priori.  Outro, em contraposição, afirma um entendimento a respeito da subjetividade, dos sujeito e dos comportamentos, como resultados das capturas/agenciamentos e da construção, influenciada por múltiplas forças.

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