O culto à ignorância

Compartilhe

Com certa surpresa, mas não com espanto, acompanhei o titulo da coluna de um dos mais influentes economistas da atualidade, com amplo reconhecimento das instituições internacionais e de personalidades do mundo econômico e político, Paul Krugman, afirmando: “Apego à ignorância vai matar o que fez dos EUA um grande país”.

Infelizmente estamos em um período complexo e desafiador que foi muito bem sintetizado pelo renomado economista. A satisfação pela defesa, ampliação e culto ao que existe de nefasto para a convivência humana, a paz social, o exercício ou garantia dos direitos fundamentais, a equidade de todas as relações é, além de preocupante, a certeza de um futuro violento e desintegrado.

A grandeza de uma nação, seja os Estados Unidos, seja outra mais ou menos importante ou influente, não é feita pela atuação de uma pessoa, líder ou personalidade. Estes apenas são aqueles com capacidade de aglutinar ideias, propostas e negociações que conduzem a grandes atos, obras, eventos e conquistas.

A verdadeira riqueza de uma nação e do mundo está nas pessoas que integram a dinâmica de funcionamento das relações e da sua organização. Popularmente se faz com sabedoria, mesmo que simbólica, já que a riqueza é construída por quem carrega o fardo da vida todos os dias.

O reconhecimento de que a história de uma sociedade é construída por todos, é o maior sinal da evolução dos líderes, da população e das suas instituições.

Neste último período, temos acompanhado rotineiramente a promoção da mediocridade no conjunto das relações humanas, sociais e políticas no Brasil e no mundo. Uma espécie de retrocesso para além da capacidade de organização e convivência das pessoas em pequenos grupos.

Quando, às vezes, falam que “estamos voltando ao medievalismo”, imagino que estes sequer entendem o que este período contribuiu para a estruturação do conhecimento e das universidades, ou tem a capacidade de comparar às barbaridades da época com as injustiças de hoje. Afirmo que ambas são inaceitáveis. O ignorante não conhece o passado e não vive o presente. Dessa forma mascara a sua vida e destrói a do outro.

A sabedoria de Krugman não faz dele uma autoridade no Brasil, mas contribui para que nos localizemos de forma sensata e inteligente nas relações pessoais e políticas que fazem parte do nosso cotidiano.

Olhar para a análise do país, ainda mais influente do mundo, é essencial. Mas não percebermos que o culto ao atraso e à ignorância feitos no cotidiano pelos que estão próximos da nossa convivência, contribui para acompanharmos o caminho do atraso e da incapacidade de conviver de forma solidária e com esperança.

Leia Também O EIA RIMA e os Estudos Ambientais Negritude como atitude política! A importância da informação da comunidade para a segurança Dia Mundial dos Pobres