Cenário social x talentos do futebol

Postado por: Luiz Carlos Carvalho

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Olá, amigos internautas!

Uma frase do técnico César Bueno, do comando do time de transição do Grêmio, nos leva a uma análise minuciosa da realidade do quadro de formação de talentos no futebol brasileiro. A questão social do país leva à perda de muitos craques em potencial.

Há que se considerar inicialmente que reduziram os campinhos, que estavam localizados nos bairros e vilas. Esse era o ponto de encontro do final de tarde, quando se jogava bola até o anoitecer. Os locais passaram a ser ocupados para a construção de residências, pela demanda que se tem no cenário da habitação em nível de país. Eram naqueles gramados que surgiam muitos craques.

De outra parte, a condição econômica tem seus reflexos: muitos meninos com grande potencial acabam não seguindo a trajetória no esporte. Poderiam estar nas categorias de base dos clubes, mas, acabam tendo que entrar mais cedo no mercado de trabalho para ajudar no sustento de suas famílias. Isso ainda quando não acabam se ausentando dos bancos escolares. A ser destacado o esforço que os clubes têm feito, até mesmo em Passo Fundo, para a valorização dos talentos, que estão sempre a surgir. Merece ser saudada cada empresa apoiadora dos projetos.

Diante do cenário atual, a opção de muitos meninos pelo país afora acaba sendo por jogar apenas nos campeonatos amadores de fim de semana. Sem a certeza de rendimentos mensais nos clubes, em função da idade, acabam não seguindo uma trajetória, que poderia ser de muito sucesso. Assim, é comum alguém nos transmitir a mensagem: “como tal atleta não está jogando no profissional se é tão talentoso?”

Alguns jovens promissores até acabam fazendo testes nas agremiações e demonstrando bom rendimento, porém o próprio calendário do futebol brasileiro não ajuda. A maior parte dos jogadores acaba sofrendo com disputas que duram apenas alguns meses. Depois, fica a incerteza em relação ao restante do ano e acabam deixando o esporte profissional para auxiliar na busca pelo pão de cada dia para o aconchego familiar.

Automaticamente, lembramos do exemplo que vem da Alemanha, com um projeto a longo prazo desde a base, com meninos sendo incentivados à participação no esporte e sem deixar de lado os estudos. Se não surgir um craque, pelo menos se formará um grande cidadão. Os resultados estão bem presentes, com a conquista da última Copa do Mundo, uma equipe de base vice-campeã olímpica diante do Brasil e o título da Copa das Confederações. E, com o mesmo formato tático de todas as categorias.

Estamos muito longe dessa realidade. Se tivéssemos um incentivo para a formação, observando a condição social do ambiente dos talentos em potencial em potencial, certamente não teríamos apenas um Neymar, um Coutinho ou um Gabriel Jesus, mas muitos outros.

Que o futuro não nos retire a esperança de um país melhor, dentro e fora de campo!

 Até a próxima! Sejam felizes, vocês merecem!

** A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo não se responsabiliza pelo conteúdo dos seus colunistas. A responsabilidade é exclusiva de cada autor. 

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