A subjetividade na perspectiva rizomática

Postado por: Israel Kujawa

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O termo subjetividade pode ser incluído entre os conceitos frequentemente usados, mas pouco tematizados, entendidos e explicados.  Uma das possíveis razões, está na falta de interesse científico pelo tema, visto que a ciência evoluiu a partir de critérios objetivos e externos (mundo de fora), consolidando a ideia de que os critérios internos e subjetivos (mundo de dentro) não conferem segurança científica. No entanto, a subjetividade como tema de interesse reflexivo não é novo, sua localização cronológica pode ser situada na passagem do pensamento mitológico para o pensamento lógico na idade antiga, ou seja, de forma simultânea ao surgimento da filosofia. No final do século XIX, com o surgimento da psicologia, essa área do conhecimento passou a ser investigada como um dos temas centrais para essa área do conhecimento.

A subjetividade identificada com eu autônomo, racional, individualizado e imune das influências externas foi postulado pelo racionalismo de René Descartes e sintetizado na expressão “eu penso, logo existo”. Assim, o pensamento cartesiano está na base da consolidação de uma noção que confere autonomia do sujeito em relação ao mundo exterior que, por sua vez, também se apresentaria como uma realidade independente. Essa descrição das relações de autonomia entre pensamento e realidade estão na base do que é descrito como dualismo cartesiano. Em contraposição, ao defendido nas meditações cartesianas, David Hume contribui para consolidar o conceito de natureza humana conectada com o mundo exterior.

Fellix Guattari e Gilles Deleuze, se incluem entre os pensadores do século XX que tematizaram a subjetividade a partir do conceito de rizoma. Entre as formas de interpretar o sentido para o termo rizoma, podemos destacar que o mesmo está vinculado com a botânica e expressa a ideia de caule interligado com um conjunto de raízes em disposição horizontal. Esse sentido se confronta com o pensamento vertical dicotômico, que separa e consolida a noção de subjetividade conectada com os hábitos e com os acontecimentos. Portanto, a subjetividade que caracteriza a identidade individual não é teórica, resultado do pensamento, da razão ou da alma, mas dos hábitos e do comportamento.

Todos os sujeitos, independentemente da condição social, institucional ou grau de instrução, somos, em maior ou menor medida, produtos e produtores de subjetividade. Pensadores como Guattari e Deleuze escreveram as diretrizes, no final do século passado, que se apresentam como boas ferramentas para interpretar o comportamento dos sujeitos, no início desse século. No entanto, uma capacitação mínima para um bom uso das ferramentas, simbolizada em conceitos como o de rizoma, depende de um entendimento dos referenciais racionalistas e empiristas, bem como dos especialistas e generalistas ou do pensamento simples e complexo. Nesses comportamentos, além do prescrito, existe espaços complexos, entrelaçados e imprevisíveis, para exercícios da singularidade e para a construção da própria subjetividade.

 ** A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo não se responsabiliza pelo conteúdo dos seus colunistas. A responsabilidade é exclusiva de cada autor. 

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