A elite que protege Lula

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Os comentários são tantos que é simplesmente impossível não falar sobre o julgamento que ocorre hoje – quarta feira - em Porto Alegre. Na quinta feira a vida estará normal, imagino. Cada um para a sua casa e quem quiser viver, como sempre, precisa trabalhar e enfrentar a vida sem qualquer milagre que possa salvar a realidade, mesmo imaginária.

Entre os vários assuntos que pipocam, seja como verdades consolidadas, seja como imaginação, prefiro deter-me em poucas linhas sobre a elite que protege a figura central desse julgamento. As tropas de elite destacadas para a segurança da capital do Estado, hoje o mais comentado e observado pelo Brasil. Pensando bem para proteger, defender ou afastar quem?

Afora a ingênua ideia do prefeito porto-alegrense ao solicitar a Força Nacional de Segurança, motivo de desconsideração do Governo do Estado e de constrangimento das próprias forças de segurança, especificamente a Brigada Militar que, com inúmeras dificuldades e deficiências, tem demonstrado esforço para cumprir suas tarefas ou missão normalmente árdua.

Um julgamento que ocorre num tribunal com esta responsabilidade, em salas seguras, com cadeiras bem estofadas e confortáveis, de difícil acesso, entre outros atributos, é um fato rotineiro, formal e necessário independente das circunstâncias. Além disso, não será definitivo – este pelo menos. Será uma decisão intermediária.

Destacar este aparato de segurança, evacuar prédios vizinhos, reorganizar a vida da cidade, despertar tamanha atenção, perplexidade e dispensar tantos investimentos retrata a rudeza do nosso ainda jovem país, a insegurança da nossa fragilizada democracia e a ausência de estatura política dos nossos principais líderes.

Com igual intensidade se pode pensar sobre o nível de desconfiança em relação às condições e capacidade da população acompanhar e enfrentar momentos como esse, marcado pela tensão, discordância, incerteza, dúvida e angústia, para citar alguns sentimentos manifestos pela população.

Com tranquilidade se deve afirmar que a quase totalidade das pessoas que se dirigiram até a capital para acompanhar o evento não tem disposição para brigas, desorganizações e vontade de promover violência. Ninguém quer voltar para a sua casa pior do que quando saiu.

A construção e reconstrução do equilíbrio social, político, econômico e cultural do Brasil precisa de líderes capazes e de uma população acostumada a tensões e decisões acompanhadas pela paixão das convicções, pelo exercício da tolerância e pela vontade de participar continuamente e ativamente.

O excesso de segurança retrata um ambiente de paixão desenfreada de um lado, normalmente alimentada pela distorção das informações, pela busca incessante da atenção a qualquer preço em todos os meios, pela falta de promoção da boa educação para a normalidade, entre outros aspectos. De outro lado, pela ausência do exercício democrático firme e seguro da autoridade daqueles que a detém.

Não há dúvida sobre o motivo que justifica esses investimentos, mesmo que, em minha opinião, exagerados e pirotécnicos. Há uma personalidade envolvida. Entretanto, aqueles que se levantam diariamente e se dirigem para o trabalho precisam da mesma atenção, publicidade e segurança.

*** A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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