Mais um episódio do golpe

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“RESISTÊNCIA AOS TIRANOS É OBEDIÊNCIA A DEUS”. (Thomas Jefferson)

Como já era esperado, o ex-presidente Lula foi condenado pelos desembargadores do TRF4. Foi mais uma etapa do golpe iniciado em 2016, financiado pelo capital, apoiado pela mídia e grande parte do Judiciário.

Os desembargadores preferiram as hipóteses. O relator chegou a dizer em determinado momento de sua explanação que “se alguém está sendo investigado por crime é por ter participado de algum”. Assim, prova passou ser mero detalhe. O judiciário, decididamente, perdeu a vergonha de escancarar sua seletividade política.

(Em tempo: no mesmo dia da condenação de Lula sem provas, a procuradoria-geral da República, pediu o arquivamento das ações contra o senador José Serra.) Uau!

O tribunal, igualmente, se esmerou em dificultar o que o mercado, a mídia e a Casa Grande mais temem: a candidatura de Lula. Tratou de aumentar a pena. A bolsa vibra. As 9 famílias que controlam os meios de comunicação do país estão exultantes.  Já devem estar buscando o candidato ideal, para ser o serviçal dos patrões.

O candidato que se comprometa com aqueles que financiaram a participaram da montagem do golpe, para reorganizar o Brasil a partir da ótica da concentração da renda, da privatização, da inserção submissa  na comunidade internacional, entrega  da soberania em terra, água e mar, e fundamentalmente que seja contra  as políticas  sociais  e os direitos  dos trabalhadores.

Uma eleição sem a participação de Lula será uma mera encenação. As pesquisas mostram que dois terços da população brasileira o quer como candidato. Enfim, a maioria. Uma minoria teme submetê-lo ao julgamento das urnas. Esta minoria está satisfeita com a decisão das três togas do  TRF4. A democracia que se dane.

Estes esquecem que a história é um processo contínuo e sua marcha é inexorável; quanto mais se reprime, mais a resposta será dura. Se não hoje, amanhã ou depois.

Os golpistas estão fechando qualquer possibilidade de uma saída democrática para o país.  Isto poderá acarretar o descontrole  do processo político, que vitimizará, em primeiro lugar, os repressores e seus instigadores, como  alertou  o ex-ministro Eugênio de  Aragão,  em recente publicação.

Será agora em 2018 que a massa assalariada conhecerá na prática os estragos sobre os seus direitos: celetistas serão trocados por contratados temporários, sem férias e 13º, sem licença de gravidez, FGTS, aviso prévio, seguro-desemprego etc. O subemprego se espalhará rapidamente sem amparo sindical.

Por outro lado, a entrega do patrimônio nacional continua de forma descarada. O transporte de gás natural, só para dar um exemplo, será monopolizado por uma multinacional. Qualquer empresa que produzir petróleo no País, será obrigada a pagar o preço que o grupo estrangeiro exigir.  Já nossa soberania energética está ameaçada, com o desmonte do setor elétrico, com a anunciada privatização da  Eletrobras.

Estamos diante de um verdadeiro crime. Recursos do povo brasileiro estão sendo vendidos a preço vil. Até quando isto será tolerado?  Precisamos de um governo legítimo, que exija a devolução, por parte destes grupos  econômicos, sem indenização,  do que estão  nos roubando.

Onde está este governo legítimo? Ora, ele passa pelo processo eleitoral. Passa por uma eleição com a presença do candidato que lidera todas as pesquisas. Passa pela presença de Lula que os cidadãos que prezam a democracia exigem.

A crise institucional que vivemos não será superada por um candidato fruto das manobras de tapetão. Isto poderá nos levar a uma desastrosa instabilidade. Lembrei-me de uma frase do grande Umberto Eco, “é sempre melhor que quem nos incute medo tenha mais medo do que nós”. É o que em breve poderá acontecer!

 *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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