A polissemia cotidiana

Postado por: Israel Kujawa

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O pensamento (seja místico, mágico ou cientifico), que trata das relações entre a parte e o todo, os homens e o universo, é uma das bases para a análise do comportamento humano. A ciência, resultado do pensamento científico, pode ser entendida como um conjunto de produções de partes, de discursos ou objetos de reflexão, subtraídas do todo natural, com constituição de novas relações. A unidade, o elo com o todo, foi quebrado em uma história do pensamento, cristalizando em nossa cultura, que resultou na produção das especialidades, que se pretendem como independentes, com autonomia, em relação ou pluriverso.

Uma ciência nova para o estudo do indivíduo, como é o caso da psicologia, se consolida com descobertas que, na medida que vão sendo compreendidas pelo indivíduo, se apresentam como uma ferramenta no aperfeiçoamento da compreensão das relações entre a parte e o todo. Um entendimento simplificado, que se aproxima do materialismo, indica que não existe essência, que nos caracterize a priori, fora da sociedade ou do conjunto das relações sociais. Outra compreensão indica que ações do indivíduo em todas as áreas, decorrem da escolha pessoal, racional ou emotiva, que é da natureza humana.

David Hume (1711-1766) informa que a experiência, os hábitos e as circunstâncias se impõem em relação ao que é identificado como “natureza”, mesmo sem sabermos, visto que não acessamos as causas últimas dos sentidos. Mesmo assim as circunstâncias, os hábitos e o comportamento não são acidentes a serem descartados, mas um meio que evidencia o que é da essência, reduzida a poucos princípios. Desse modo, a mutabilidade e as contingências, dizem que é impossível conhecer a natureza das coisas, em decorrência das insuficiências da razão.

A relação entre indivíduo e contexto social é uma das base para a análise do comportamento humano. Seja focando o papel preponderante, concedido à natureza individual, em suas supostas tendências ou predisposições inatas, racionais, passionais ou na predominância das influências do meio. Além disso, cabe ressaltar nossa capacidade natural de nos importarmos com o outro, que ganha concretude com o hábito, fazendo o indivíduo sair de si e se reconhecer no semelhante.

 *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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