A cobra que enganou a mulher

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Há poucos dias o papa Francisco fez um pronunciamento corajoso e ‘forte’ para orientar o Dia Mundial das Comunicações que obteve “leve” repercussão nos diferentes meios e, também, naqueles ambientes que normalmente vociferam, apoiam e expressam seu entusiasmo e, por vezes, são incomodados pelas palavras cativantes e claras do líder católico.

O papa utiliza para expressar sua opinião, avaliação e crítica às situações delicadas da comunicação contemporânea uma expressão conhecida do Evangelho de João “A verdade vos libertará” (Jo, 8, 32).

Para falar da mentira, do engano, dos esconderijos e das falsidades que movem a divulgação, a análise e, especificamente, a “fabricação” das notícias falsas nos meios de comunicação social, a busca da verdade é interessante.

As chamadas fake News povoam a comunicação. É verdade. Mas antes elas integram as relações pessoais, familiares, páginas de redes sociais, se escondem nos perfis falsos e alimentam a prática, a imaginação e o trabalho de mentes e corações patológicos, mal intencionados e covardes de profissionais, líderes e pessoas comuns que fazem desse meio uma estratégia de vingança, destruição e ódio entre os seus mais próximos e nas relações sociais, políticas e econômicas.

Como se fala no imaginário popular: “depois de espalhada, ninguém mais segura”. O Brasil e o mundo têm sido vítima desse ambiente perverso fartamente alimentado por inúmeros dos atuais meios de comunicação que, com toda sua energia e potencialidades, deveriam estar a serviço da construção da verdade.

Felizmente temos grande parte destes comprometidos com a seriedade e o bem de todos.

Não poucas vezes nos defrontamos com a tentação de utilizar as fake news para construir uma verdade que não existe e, dessa forma, impor sobre o outro, outra verdade que, também, não existe. A exposição exagerada da vida pessoal, os lugares que frequentam, as viagens que povoam a ilusão de todas as classes, a demonstração do poder como forma de realização individual, entre outras práticas de exibicionismo fazem das contradições da ação humana e suas atuações em ambientes comuns e complexos formas de construção de novas escravidões.

A imagem do livro de Gênesis é usada pelo papa na sua mensagem como símbolo do “peso” da destruição sobre pessoas, famílias, instituições e países com notícias sem sentido.

Vejamos no Brasil: como o país seria mais feliz sem fake news. Cuidemos para não ser promotores dessa doença.

 *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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