Velha Escola Brasil

Postado por: Júlio César de Medeiro

Compartilhe

A paixão do brasileiro por carros é fato inquestionável. Quase no mesmo patamar, está a paixão por personalizar seus carros e isso surgiu junto com a indústria automobilística.

 Só que nas décadas de 70 a 90 o universo automobilístico nacional reduziu-se às fabricantes já instaladas no Brasil – FORD, CHEVROLET, FIAT E VOLKSWAGEM. Por isso, as ruas ficaram repletas de Fuscas, Opalas, Brasílias, Chevettes, Kombis, Mavericks e Corcéis, para ficar só nos modelos mais lembrados.

Mas a paixão pela personalização perdurava e os que decidiam personalizar seus carros dependiam de um mercado muito restrito de peças e acessórios, além de contar com poucas oficinas e distribuidores especializados.

Foi nesse cenário que surgiu um movimento hoje denominado V.E.B – Velha Escola Brasil, com características bem definidas e que marcou época, trazendo entusiastas cativos até os dias atuais.

A V.E.B surgiu primeiramente entre os donos de VW a ar. O conceito original de personalização neste estilo consiste em só modificar o carro com peças da década em que ele foi fabricado. Nada de atualizações ou tecnologias recentes, por mais conforto e segurança que possam trazer. Se o carro é da década de 70, o estilo V.E.B aceita apenas peças e acessórios da década de 70.

Faróis de milha nos para-choques, substituição do volante original por modelos de menor diâmetro, com raios de metal e aro de madeira, como os Walrod, Panther ou Fittipaldi era o básico para entrar no conceito, muito influenciado pelo automobilismo de competição Stock-car.

A lataria, tapeçaria, estofamento e cor dos carros normalmente era mantida com o arranjo original da fábrica, mas bancos diferenciados como os Recaro e Procar também eram utilizados para incrementar o ar esportivo.

As rodas mais procuradas eram as de liga leve, com alguma diversidade de marcas como Scorro, Rodão e Jolly. Traziam diâmetro menor que as originais, eram mais largas, de offset agressivo e bordas polidas, sempre calçadas com pneus bem gordos, normalmente ficando com boa parte para fora do para-lamas. Na suspensão apenas uma baixadinha de leve, nada muito exagerado. Alguns rebaixavam apenas a dianteira. Nada de faixas brancas ou filetes nos pneus.

O motor, na maioria das customizações no estilo V.E.B, recebia alguma preparação, como cabeçotes trabalhados, carburação maior, comandos mais bravos, balanceiros e escapamento dimensionado. Naquele tempo, o curioso é que não se falava em preparar o motor e sim envenenar o motor.

Hoje, a V.E.B deixou de ser um estilo de customização para transformar-se em cultura automobilística, com grupos de saudosistas e entusiastas espalhados por todo o Brasil que preferem conservar a receita de personalização da época em que seus carros antigos foram produzidos que render-se às tecnologias mais recentes.

 

Leia Também As exigências do carro STJ afasta cobrança de IPI sobre mercadoria roubada Concessões e privatizações para salvar o Estado Economia versus política