O “fascista” e a sua verdadeira definição

Postado por: Dilerman Zanchet

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Atento às redes sociais, leio e observo, nos mais variados patamares, a cultura idiotizada de alguns que até títulos acadêmicos têm, e que não conseguem expressar seus pensamentos em uma página de perfil, ou blogs ou artigos, enfim, textos, sem conterem centenas de erros. Tantos de ortografia como de digitação.

A estes casos atribuo à ansiedade de tentar dizer algo que está entalado. Ou então tentar afrontar a realidade, através de seu pensamento nem tão claro assim.

Em alguns artigos que circulam pela mídia nacional, observamos pseudo escritores, intelectuais de fundo de quintal que tentam (e conseguem) levar ao delírio àqueles que buscam uma gota de álcool para seu incêndio diário.

Antes e, principalmente nos tempos recentes, nos deparamos em qualquer debate – acalorado ou não – sobre a situação política, julgamento e condenação de acusados de fatos ilícitos, de que este ou aquele tribunal, juiz, promotor, é ”fascista”.

Pois, quantos dos que isso escrevem sabe realmente o verdadeiro significado desta palavra e, em quais condições usá-la?

Pesquisando (há uns dias li que o Google não era referência de pesquisa, fato que “me caiu os butiá do bolso”), encontrei esta que entendo ser a mais tênue definição, sem ideologismo e tampouco fisiologismo, para a tal palavra “fascismo”: “Substantivo masculino. Movimento ou regime político e filosófico que, semelhante ao imposto por Benito Mussolini, na Itália em 1922, baseia-se no despotismo, na violência, na censura para suprimir a oposição, caracterizado por um governo antidemocrático ou ditatorial”.

Simples. Fácil de entender. Porém, para alguns, difícil de engolir. E talvez por isso se tenha tantas dificuldades para engolir a palavra que lhes serve diretamente.

Uma mulher, que atualmente se projeta no cenário nacional, ao gritar como “intelectual” sobre o TRF, escandalizando e abusando de conceitos para ofender magistrados, desembargadores e a própria instituição, tenta ser a crucificada da vez, defendendo o indefensável.

Vamos aos fatos: Se Lula foi condenado em uma sessão que durou mais de 10 horas, com embasamentos dignos de elogios do cenário jurídico mundial, cujos argumentos foram fortalecidos pelas inúmeras provas de que o apartamento lhe pertence, ela, retoricamente, agride a inteligência dos que sabem ler e interpretar. Para estes, pois para os que gostam de ver o circo pegando fogo, é um prato cheio.

Assim, o arquiteto carioca Eduardo Affonso mandou ver: (https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/8527/fascista-e-todo-aquele-que-se-opoe-a-um-projet...: “... Fascista foi, até a primeira década deste século, um radical, totalitário, nacionalista – de preferência tudo isso junto. Fascistas eram Mussolini, Salazar, Franco, Plínio Salgado e os que os seguiam, curtiam e compartilhavam de suas ideias.

Hoje, é chamado de “fascista” todo aquele que se opõe a um projeto hegemônico (radical, totalitário) de poder.

“Fascista” é quem recusa que o estado venha lhe dizer como falar, do que rir, o que dizer.

“Fascista” é quem recusa a tutela do politicamente correto.
“Fascista” é quem desafina o coro dos contentes com o controle da mídia, dos costumes, do Judiciário, dos meios de produção, da educação, do pensamento.

É “fascista” o motorista que te dá uma fechada no trânsito, o árbitro que marca um pênalti contra o seu time, o professor que te pega colando, o ascensorista que te diz para esperar o próximo porque não cabe mais ninguém no elevador.

“Fascista” é todo aquele que te frustra, questiona, trola; todo aquele que diverge, desvia, contraria; todo aquele que te desconcerta.

O “fascista” tem que estudar história – não sabe reconhecer um golpe, não detecta uma fraude.

O “fascista” não compreende que o assalto pode ser a “reação justa”, dentro da lógica interna do processo, de um indivíduo “contaminado pelo capitalismo”.

Somos todos “fascistas”: os que relativizamos a noção de que absolutamente tudo seja relativo; os que achamos que “democracia de alguns, para alguns, por alguns” não faz nenhum sentido. Os que sabemos que nem todo vilão é vilão, nem todo romance é digno de um romance e aquele chamado de “fascista” costuma ser tão somente o antagonista de um verdadeiro fascista...”.

Precisa dizer mais?

  *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.


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