Campeonatos estaduais de futebol: o desafio do calendário

Postado por: Luiz Carlos Carvalho

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Olá, amigos internautas!

Desde o final dos anos 80, muito se tem debatido sobre o desgaste dos campeonatos estaduais de futebol, sob o olhar dos grandes clubes brasileiros.  Para eles, se abriram opções de novas disputas, atrativas e com premiações significativas.

Até 1989, quando surgiu a Copa do Brasil, o calendário contava com duas competições anuais certas, o regional e o Campeonato Brasileiro. Eventualmente, havia a presença na Taça Libertadores da América, mas então restrita ao campeão e ao vice do país. O título gaúcho era disputado nos mínimos detalhes por Grêmio e Internacional, que dificilmente utilizavam suas equipes reservas. A rivalidade pesava muito.

Depois, foram se proliferando as disputas e o calendário foi ficando apertado. Hoje, o que se tem é a dupla Gre-Nal aqui em nosso estado fazendo pré-temporada em pleno Gauchão. Com isso, os aspirantes são colocados em campo, com prejuízo técnico da disputa e até mesmo derrotas são contabilizadas em grande número pelos grandes. Pelo aspecto do interior, que pode sonhar, é até positivo. Antigamente, era comum esperar que o colorado e o tricolor ocupassem as duas primeiras colocações na fase inicial. Hoje, se conseguem a classificação, já é um grande feito.

Não é uma peculiaridade do estado. Exceto ao Campeonato Paulista, onde a rivalidade ainda é intensa, se percebe um esvaziamento na maioria dos estados da linha de frente. O Campeonato Carioca em 2018 está decepcionante, talvez com o pior nível técnico de todos os tempos. Chega-se ao ponto de Fluminense e Vasco da Gama – que está na Libertadores – não chegarem sequer às semifinais da Taça Guanabara. O público é muito pequeno. Lá, por exemplo, não existe a expectativa de presença dos grandes no interior, por se tratarem de clubes semiprofissionais, muitos do Grande Rio.

Porém, há que se voltar para a realidade dos clubes do interior. Eles não podem ficar submetidos a um campeonato de dois meses. Há que se criar uma atração durante o ano, até mesmo para fortalecer o seu vínculo junto aos torcedores. As próprias copinhas devem ser estudadas e tornadas viáveis. Não seria interessante uma etapa classificatória nos meses que antecedem os estaduais, para que os grandes entrassem no final?

Outro aspecto diz respeito à competição nacional. São nove cansativos meses e agora ainda com a Copa do Brasil cada vez mais duradoura. E estamos em fase de Libertadores, com realização durante dois semestres. Com tantas disputas, é evidente que a Copa da Primeira Liga não iria emplacar, até mesmo porque os clubes nunca foram verdadeiramente unidos. Quando entra em cena o aspecto financeiro, as opiniões se dividem.

O que não se pode afirmar é que Internacional e Grêmio, por exemplo, não valorizam o título gaúcho.  Cada clube quer muito ganhar, até mesmo para ficar à frente do rival. O que se percebe é que após a taça, existe volta olímpica, além de grandes festejos pelas ruas. Eles adoram a taça do estado. O Gauchão está na cultura do nosso povo, como o chimarrão e o churrasco. O produto, porém, precisa se tornar cada vez mais viável, a exemplo dos demais campeonatos estaduais.

Até a próxima!

Sejam felizes, vocês merecem!



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 * A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o testo reflete a opinião de seu autor.

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