Auxílio para morar

Postado por: Neuro Zambam

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Os comentários das últimas semanas giram em torno da ajuda de custo para as moradias dos juízes. As manifestações, algumas exageradas, mas a maior parte delas importantes, por fazerem parte do jogo democrático e da liberdade de informação e manifestação sobre a vida pública de uma nação.

Quem tem uma atividade pública precisa saber que está exposto ao julgamento do público de forma permanente e exaustiva.

Nesse cenário se entende os comentários e as manifestações em torno do julgamento do ex-presidente Lula e do cambaleante governo Temer, que governa sem poder sair na rua.

O festival de privilégios que ronda administração pública alcança praticamente todas as esferas. Das isenções de impostos, das nomeações para cargos de confiança apadrinhados, dos três poderes e macula a fama e o funcionamento de todas as instituições. Consequência disso é a atrofia da população e a insensibilidade da quase totalidade das autoridades.

É evidente que o auxílio moradia para os magistrados não encontra justificativa moral, seja pelas reações da população, seja pela ausência de necessidade de explicações.

Nesse sentido, disse-me um juiz que gasta praticamente um turno mensal para preencher formulários e devolver os “penduricalhos” (estou utilizando palavras que ele disse) que rotineiramente aparecem na sua folha de pagamento.

O estranho disso tudo é que a aceitação e negociações fazem parte do comum das relações públicas e privadas. O debate público, tão necessário para a vitalidade das relações políticas, espanta quem está no exercício do poder e da liderança quando a formação é fraca, a participação é nula e a vontade pessoal é inexistente.

Trabalhar sem pautar pela busca incessante de privilégios e vantagens pelos títulos, cargos ou pela ilusão dos votos, se corrige pelo exercício do debate público, a publicidade das ações e a demonstração do trabalho realizado.

“Uma escada começa ser lavada pelo degrau de cima” diz um comentário popular de rara sabedoria. Aqui no Brasil, sabendo da falta de água em muitas localidades e o aumento do desmatamento na Amazônia, apoiado pela falta de cuidado das cidades – especialmente do destino do lixo e da arborização, representa o quanto demorará o inicio da limpeza.

Seria interessante que pudéssemos divulgar a relação de quantos devolvem “seus penduricalhos”. A escada cresce.

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