Novo cenário eleitoral para presidência da República

Postado por: Josué Longo

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Olá amigos! Retomando as atividades no Blog da Rádio Planalto, hoje vou comentar sobre o novo cenário eleitoral pós julgamento do ex-presidente Lula, realizado no dia 24/01.

Estamos vivendo um momento muito delicado no nosso país. Com tantas denúncias de corrupção e prisões de Governadores, Ministros, Deputados, os quase 150 milhões de eleitores brasileiros andam descrentes da política. Acompanhamos diariamente, na imprensa nacional, notícias de autoridades e também parte do Poder Judiciário que agem desconsiderando a difícil  realidade do povo brasileiro.

Nesse contexto, é complicado para a classe política conseguir o apoio da população. E, por vários aspectos que vou apresentar, é provável termos uma eleição muito parecida com a de 1989. Uma das características é o número de candidatos. Em 89 tivemos 22 e nesse ano, ao que tudo indica, o pleito será também elevado.

Antes de 24 de janeiro existia um cenário. A esquerda representada pelo ex-Presidente Lula, mantinha-se a frente em todas as pesquisas. Porém, após a condenação em Porto Alegre, no tribunal de segunda instância, a situação mudou. Com poucas chances de conseguir emplacar sua candidatura, apesar de seguir na frente nas pesquisas, novos nomes vão ganhando força.

O PT sem Lula possivelmente indicará o ex-Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, como candidato. Porém, a esquerda também conta com Ciro Gomes pelo PDT, com a gaúcha Manuela D’Avila pelo PCdoB e outras siglas apresentarão novos nomes.

A grande preocupação com a saída de Lula da disputa é que, com muitos candidatos de esquerda disputando, é grande a possibilidade de nenhum chegar ao segundo turno. Assim, poderemos ter pela primeira vez, desde a redemocratização em 89, dois candidatos de direita no segundo turno da eleição.

A direita também apresenta dificuldade de articulação. Despontam vários possíveis candidatos, mas poucos com densidade eleitoral em todo o país, como é o caso de Lula.

Muitos analistas apontam a possibilidade de que os candidatos cheguem ao segundo turno com menos de 20% dos votos válidos. Esse fato também remete às eleições de 1989, onde Lula foi para o segundo turno com apenas 17% dos votos, fruto também do grande número de candidatos, cenário que está se desenhando para as eleições desse ano.

Hoje, praticamente definidos no campo centro-direita estão: Bolsonaro-PSC, Alckmin-PSDB, Marina-Rede, Álvaro Dias-Podemos. E ainda sem confirmação, mas que poderão surgir: Henrique Meireles, o ex-Presidente Collor, Joaquim Barbosa e o apresentador de TV Luciano Huck.

Sem Lula no páreo, o caminho se abre e tudo pode acontecer. Até outubro, ainda tem muita “água” para rolar.

VOCÊ SABIA?  

O resultado do 1º turno das eleições 1989 foi: Collor-PRN: 30,47%,Lula-PT: 17,18%, Brizola-PDT: 16,51%, Covas-PSDB: 11,51 e Maluf-PDS: 8,85.

 *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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